sábado, 10 de agosto de 2013

Enrico: um homem sincero, sempre!



Eis que eu estava olhando o novo cabelo no espelho e imaginando quanto tempo terei que esperar para ir no chines tentar o corte que eu quero (como eu disse eu adorei o cabelo curto, mas nao gostei do tipo de corte), quando a Criatura se aproximou:

- Basta guardarsi allo specchio! Sei bellissima!
(chega de olhar no espelho! Voce tà linda!)
- Eh che non mi piace il taglio...
(Eh que eu nao gostei do corte...)
- Comunque è meglio di prima!
(De qualquer jeito, è melhor que antes!)
- Ah sim?
- Si, si... prima eri orrenda!
(Sim, sim... antes voce era horrivel!)

HAAHAHAHA 

Enrico: um homem que sabe aumentar a auto-estima da gente!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Gisa: Um amor de pessoa!

Estou indo ali no cabeleireiro,
cortar o cabelo curtinho e pintar de vermelho.

Mas nao contem para o Henry, nao, 
porque eu quero matar a Criatura do coraçao.

HUAHUAHUA 

#I.am.the.Evil

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Gisa: uma mae tranquila, sempre!




Claro que o Facebook tinha  que dar seu toquinho de crueldade 
me mostrando na timeline sò a frase: "to namorando!"
Ai!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O quiabo nosso de cada dia

Entao que quando eu estou dodòi eu fico cheia de mimimi. Acho que tenho o direito de ter TUDO que eu quero, na hora que eu quero.

E eis que domingo, às 14:00 horas da tarde, sob um sol de 43°C, eu decidi que eu queria ir là na horta dos marroquinos para colher quiabo. Trinta minutos de carro. Forças reduzidas. Ou eu posso dirigir uma hora, ou posso colher quiabo. O que me restou pedir à Criatura (que sàbado nao tinha ido comprar os dito-cujos) que me levasse ali. 

Criatura AMOU a idèia... so que nao! HAHAHA 

Mas me levou mesmo assim, mesmo aos trancos e barrancos (nao por sua falta de vontade, mas por eu ainda estar fraca)...

Chegando là, achei um moço trabalhando na lavoura e falei que queria comprar quiabo... o moço me olhou e murmurou alguma coisa.... coisa essa que eu nun intindi.

- Speak english?
- No, no, no...

Aì eu tive a brilhante idèia de mostrar minha sacolinha vazia pra ele e falar “OKRA”. Mas o moço ficou me olhando e nao entendeu se eu queria trocar a sacolinha por um quiabo, se eu queria brincar um pouquinho na plantaçao ou se eu tinha uma peixeira escondida e aquilo se tratava de um assalto.

Na esperança que a  Criatura conhecesse algum idioma misterioso que eu nao soubesse, chamei-o-o.

A Criatura è muito mais exxperta que eu, e precisou sò de quatro palavrinhas màgicas:

- I, money. You, Okra!  (okra = quiabo)

Hahahaha. 
Pronto. Tudo entendido. 

Peraì, tudo nao. O moço saiu e voltou com um cestao cheio de quiabos e entao eu me joguei no meio da plantaçao, (o binchinho atè se assustou) e catei o primeiro quiabo que vi.

- Can I?
- No problem, no problem...

E foi assim que eu passei uma hora inteira colhendo quiabos!! Embaixo de um sol de 43°C e com um vestido preto – porque eu sou maso, babe! \m/

Eis-me aqui, 
procurando alguèm para me vender quiabo

Eis-me aqui, 
enquanto o moço foi pegar o cesto de quiabo

E, obviamente, na hora da foto que deveria entrar para a posteridade (“Gisa colhendo quiabo na Italia no verao de 2013”), a bateria do celular da Criatura acabou. Eu estava com o meu? HAHAHA Eu? Carregando celular? HUAHUAHUAHUA

Eccoli!
4 quilos de quiabo!!
Tudo por 10 reàu euruzzi!
4 quilos de quiabo – tudo meu, tu-do MEU, 
TUDO MEEEEEUUUU!!

...

A Colheita do ano passado:
 (Minha voz continua a mesma, mas os meus cabelos...)

...............
PS: Os exames ficam prontos sexta. A bolha nao voltou mais, continuo tendo hemorragias, mas em quantidades menores :-)

PS2: Quiabo è minha verdura favorita e quiabo e agua de coco sao as unicas coisas (coisas, nao pessoas) que realmente sinto falta do Brasil.
 

PS do PS2: Eu gostaria muito de mandar uma caixa de quiabo pra voces que tambem gostam de quiabo e estao na Zooropa, mas nao sei se pode e nem como chegaria. Alguem jà experimentou mandar alguma fruta/verdura pelo correio? Alguem quer um quiabinho aeee?

domingo, 4 de agosto de 2013

Mudando de astral...

 ... mas nem tanto.

Entao que pra tirar um pouco esse clima DoutorHouse de novo, eu decidi publicar o post que fiz quando fui à Longarone. 

Nele eu conto a historia do Desastre de Vajon (sim eu pàro de falar de hospitais pra falar de desastres - porque eu sou uma pessoa muito alegre, otimista e nada tràgica), que destruiu duas cidadezinhas italianas (Erto e Casso) e devastou grande parte da cidade de Longarone.

Demorei pra postar porque queria fazer um post bonitinho, cof cof, cheio de informaçoes certinhas. Entao, apòs - cof cof - MESES de trabalho e pesquisas, eis o post pronto logo abaixo.

..............................

Tudo começou com a nossa ida à Feira do Modelismo Ferroviario, em Logarone. O Henry tinha dito no dia anterior que era ali que tinha acontecido o desastre de Vajont, aquele em que o pai dele foi uma das primeiras autoridades a chegar pra prestar socorro. Atè entao eu nao tinha entendido muito bem do que se tratava, meu sogro sempre falava disso mas eu sempre tinha pensado que se tratava de uma avalanche.

Aì no meio do caminho o Henry disse que ia aproveitar e me levar pra conhecer a Barragem de Vajont...
- Que barragem?
- A barragem onde aconteceu o desastre!
Entao ficou tudo muito claro: nao era avalanche mas a barragem que cedeu...
Nao fiz mais perguntas e seguimos nosso caminho.

Assim que chegamos em Logarone, o Henry me fez ver, là em cima das montanhas, a tal da barragem e...

- Mas ela ainda tà inteir...... Han?? Uè.... mas por que tà cheio de àrvore dentro dela??
- Eh a montanha que caiu!
- Han??? (Curiosity level #3.967)


Atualmente, ao fundo a diga com as àrvores 
e o pedaço de montanha dentro dela

A "Diga del Vajont" (Barragem do Vajont) foi construida entre 1957 e 1960, atualmente è a quinta barragem mais alta do mundo e a terceira mais alta construida em forma de arco, medindo 264m de altura (de construçao).



O desastre aconteceu às 22:39hs do dia 09 de outubro de 1963, devido à incompetencia da empresa que a construiu (na època SADE, depois comprada pela ENEL), que mantèm a versao atè hoje de que o desastre era imprevisivel e sò aconteceu devido às fortes chuvas ocorridas no mes de setembro daquele ano.

Mas vamos aos detalhes....

Logo apòs o inicio da construçao da Barragem, dois geologos (um italiano e um austriaco) começaram a estudar o solo da montanha (chamada "Monte Toc" - que em dialeto quer dizer "montanha podre" - nome dado devido à inumeras avalanches que a montanha sofreu desde 1.300 d.c.), e jà na primeira analise realizada o geologo austriaco afirmou  que a montanha era sucetivel a avalanches (devido à sua alta concentraçao de argila), mas o geologo italiano afirmou que a montanha era muito estàvel e que a barragem nao causaria danos à montanha.

Em 1960, depois da barragem jà pronta e em funcionamento, os dois geologos constataram que a montanha estava "se desmanchando". Pouco tempo depois, a montanha deu seu primeiro aviso jà no primeiro enximento da barragem: uma fissura em forma de letra "M" apareceu na lateral da montanha, e jà em novembro daquele mesmo ano a primeira avalanche aconteceu: 750.000 metros cubicos de terra e rocha despencaram da montanha:


As flechas indicam a parte da montanha que cedeu.

 Um pedaço da fissura (que era extensa cerca de 13 kilometros)

 A partir deste momento, tudo que tinha embaixo da fissura em forma de "M" jà começava a cair cerca de 3cm por dia. Foi entao que os executivos da SADE resolveram escutar o geologo austriaco, que conselhou o esvaziamento lento da barragem e um intervalo de dias entre o esvaziamento e o enximento da barragem, de modo que a montanha pudesse, em um grosso modo de falar, "dar uma secada". Com essas providencias tomadas, em dezembro de 1960 a queda da montanha parou. E provavelmente teria parado pra sempre, se nao fosse a decisao de um executivo idiota da SADE chamado Mario Pancini, em 1963.

O problema era que a Sade, pra impedir as avalanches, teria que manter a diga com o nivel de agua a 600m... mas a 600m ela nao conseguia gerar a quantidade de eletricidade prometida no projeto, e assim, logo apòs o verao de 1963, a diga foi enchida acima desse nivel e entao o desastre aconteceu.

270 milhoes (milhoes!!) de metros cubicos de terra caìram dentro da diga... gerando uma onda gigantesca que destruiu completamente duas cidadezinhas que ficavam na outra motanha - aquela em frente à montanha que cedeu - e 25 milhoes (milhoes!!) de metros cubicos de àgua "saltaram" a diga e desceram em direçao à cidade - Longarone - devastando-a quase que completamente. Estimou-se que a onda de choque provocada pelo deslocamento do ar foi igual em intensidade, se não superior, à gerada pela bomba atómica de Hiroshima. -->(sem fonte)


Foto atual - desenho pra entender o que aconteceu. 
"Frana" quer dizer avalanche.
"Diga" è barragem

A perda de vidas humanas foi de 2.000 vitimas. 
Meu sogro foi uma das primeiras autoridades a chegar ao local. 
Ele tinha 26 anos.

Ele tem fotos, mas - a Gisa è muito desastrada, 
destraìda e descuidada - entao achou melhor nao pedir pra escanear. 
 (Sei là, nè gente, vai que eu derrubo coca-cola, ou iogurte, ou cafè, 
ou leite condensado, ou pasta de dente... ou tudo isso junto.)



Longarone Antes


Longarone Depois


A Diga logo apòs o acidente. 
Reparem como ela parece piquininha em meio a todo o barro.

Apòs o desastre teve um processo e os executivos considerados responsaveis pelo desastre foram condenados a 21 anos de prisao. Mas o processo foi longo (20 anos) e ao longo desse periodo alguns foram morrendo e quando enfim saiu a sentença final, (a maior condenaçao era 3 anos) alguns tinham morrido, outros se matado e outros eram velhos demais para ir à prisao. #na_italia_tudo_acaba_em_pizza - tambem.

 E pra finalizar...

PARABENS AOS ASNOS QUE TIVERAM A IDEIA 
DE CONSTRUIR UMA BARRAGEM EM UMA 
MONTANHA QUE EH PODRE ATEH NO NOME!

(Pra quem quiser mais informaçoes, aqui. (em italiano, desculpaee)
By Gisa