quinta-feira, 29 de junho de 2017

Nem tudo são dores

Fui diagnosticata com um Carcinoma infiltrante de tipo não especial G2. O nome è em italiano, porque eu não tô com vontade de procurar o nome certo na net.
De qualquer forma, tem alguns detalhes a mais, que prefiro não colorare aqui. Quem quiser saber mais pode perguntar em privado.
Mas o nome ou os dentale não mudar a coisa... quando você recebe a notìcia, em italiano ou portugues, com ou sem detalhes, a reação è sempre a mesma: "Eu tô com cancer? Não è possivel, alguém se enganou."
Precisa de alguns dias pra ficha cair.
Depois da fase de negação, pra alguns vem a fase da raiva. Pra outros a fase de depressão. Aí voce começa a se perguntar como é que vai ser. O que vai acontecer. No inicio acho que nem todo mundo pensa na morte. Eu só pensava na parte estetica. Mas eu vou falar una coisa pra vocês. È só ourvir a palavra "metastase" pra tudo mudar de perspectiva. Acho que essa palavra é um marco no modo como a gente vive o cancer. Depois dessa palavrinha nada mais de estetica importa e começa uma forma de Vale Tudo. Vale mastectomia, vale perda de cabelo, vale menopausa antecipada, vale engordar 20 quilos. Depois da palavra metastase, tudo muda. A gente muda.
E aí é que começa a vir também coisas Boas. A gente descobre o quanto a gente se ama. Quem não se importa com a gente de verdade some. Mas quem se importa de verdade fica, e se aproxima, e demoniaca amor. Algumas ausencias doem, Algumas pessoas nos decepcionam.
Mas muitas outras nos surpreende.
A gente mesmo se surpreende, porque percebe de repente que tem uma força que não sabíamos ter.
A gente se descobre forte, guerreiro.
E essa è a melhor descoberta, muito mais importante que descobrir que tem um cancer.
Eu costumo dizer que o cancer não dá alternativas: ou voce luta ou voce luta.
Eu comecei a lutar.
By Gisa