quinta-feira, 1 de maio de 2008

Será que estou mesmo ficando cinza?? (e mais desabafo)

Alguém me disse que a diferença de cor das fotos abaixo se deve à diferença de luz entre elas.

Não sei... As pessoas estão sempre me dizendo que eu pareço ter uma saúde frágil, ou que eu estou pálida demais, ou que eu era bonitona e agora estou desmilingüida (Deus, essa palavra existe? rsrsrrs... Bom, não sei, mas é o que falam...)

O fato é que eu já estou consciente de que já fui longe demais.

Isso geralmente é o mais difícil... mas não pra mim, que, acreditem ou não, já superei a anorexia.

Só estou tendo uma recaída... uma constante falta de apetite que começou devido àquela maldita gripe.

O problema é conseguir voltar a comer. É um pesadelo. Não deixo de comer por medo de engordar, o problema é que eu já não sinto fome, não tenho vontade e, principalmente, não gosto de comer.

Mas eu estou me esforçando. Eu juro que estou. Hoje comi até um sorvete. E ontem, comi um lanche gorduroso, cheio de calorias e nada nutritivo do McDonalds. Podem me acusar de muita coisa... mas não de que eu não esteja tentando.

(Ahh... e por favor... se não souber de verdade o que é anorexia, não deixe um comentário aqui dizendo que não tenho cérebro. Isso não vai ajudar em nada minha falta de apetite e só vai deixar claro a sua ignorância. Ah... também não sou pró-ana, nem pró-mia. Sou só uma pessoa que sofre com um distúrbio alimentar (mental, se assim preferir) e utiliza um blog tosco pra desabafar.)

Ahh... e pra não perder o costume...
Mais uma vez, meus amigos queridos que têm paciencia o suficiente pra ler isso aqui



Perdoem os meus desabafos...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Ok, ok... eu passei dos limites!!

Em toda recaída que eu tenho, todos me dizem que eu passei dos limites. E eu nunca acredito... até ficar doente, ou ter algum sintoma mais sério.

Na primeira vez que tive (vocês sabem o que), eu só parei quando tive anemia. Em minha primeira recaída, parei quando fui pro hospital tomar soro, com 47 kg. Na segunda, parei depois de desmaiar no banheiro. Na terceira, parei depois de ter problemas nos rins. Bom, e agora cá estou eu, 'firme e forte' numa recaída que durou cerca de 3 meses (tempo demais para uma recaída).

O Tatu e todos os amigos que sabem do meu problema e já me disseram que eu já fui longe demais. Mas eu estava tranquila... pois não estou com nenhum sintoma sério. Tipo, tenho umas tonturas, fraqueza, dores musculares, de vez em quando uma tremedeira devido à hipoglicemia... mas nada grave. Nada que eu não esteja habituada e acostumada a ter.

Mas, no último dia de aula, minha amiga Jaque me disse pra tirar uma foto de mim e comparar com as fotos do início do ano letivo.

Bem, neste fim de semana, a Mel tirou, brincando, umas fotos de mim. Eu olhei pela câmera e achei legal, então resolvi passar para o PC. Ao ver a imagem grande, no computador, confesso que fiquei chocada. Não pela magreza (não acho que estou magra), mas pela minha cor...


Eu, 4 meses atrás...


Eu, agora

O assustador é que há 4 meses atrás eu não estava queimada de sol. Essa era minha cor natural, saudável. Agora, como vocês podem percerber, estou ficando pálida, parecendo cinza.

Não sei se tem a ver com o fato de eu não comer... mas serviu pra me deixar assustada.
Estou parecendo doente.

domingo, 23 de março de 2008

Na (demente) mente de uma anoréxica

- O que você vai jantar?
- Já jantei.
- Não, você comeu um iogurte.
- É, eu jantei.
- E iogurte é janta?
- É.
- As pessoas normais comem, sabia?
- Eu como o suficiente.
- Não, você come muito menos do que seu organismo precisa.
- Eu como o suficiente.
- Sabe o que acontece quando você come menos do que seu organismo precisa?
- Hun? (com bocejo)
- Seu organismo começa a te atacar.
- Mas eu como suficiente.
- Suficiente seria 2000 calorias por dia. É o que qualquer ser humano precisa para sobreviver.
- Eu não preciso de tudo isso.
- Não fala besteira, ignorante!
- Não é besteira... eu fico sentada quase o dia inteiro, não preciso desse absurdo de calorias.
- Mas enquanto você tá sentada, seu organismo tá funcionando e pra ele funcionar, precisa ter energia.
- Energia pra que, se eu não tô fazendo nada?
- Cala a boca, ignorante. Você pára de comer, mas seu organismo continua comendo, sabia?
- Comendo as gordurinhas!
- Você não tem mais gordurinhas.
- Tenho um monte, olha aqui ó! (apertando as gorduras)
- Isso não é gordura, isso é músculo. Seu organismo já tá comendo seus músculos. Sabe o que ele vai comer depois?
- Mais gordurinha.
- VOCÊ NÃO TEM MAIS GORDURINHA. Seu organismo vai atacar seus ossos em busca de calorias e vitaminas. E quando acabar isso dos seus ossos você vai estar com osteoporose e seu organismo vai procurar isso nos seus órgãos vitais.
- Hun... por isso que aquela modelo morreu gorda mas com falência múltipla dos órgãos?
- Que modelo?
- Uma que morreu o ano passado.
- Com quantos quilos ela morreu?
- 52.
- 'Gorda'?
- É, ué. Ela já tinha ficado com 38 e não tinha morrido.
- Sabe porque ela morreu?
- Por que?
- Porque o organismo dela tirou todos os nutrientes dos órgãos vitais, e quando o peso dela voltou ao normal, os órgãos dela não conseguiram mais trabalhar.
- Por isso que é bom eu emagrecer.
- Pára de falar besteira!
- Mas é, ué. Quanto mais magra eu for, menos vou precisar comer.
- Deixa de ser louca!
- É verdade!
- Claro que não! Mesmo magra, seu organismo continua trabalhando. Seu coração precisa de energia pra bater. É preciso ter energia pro seu sangue correr pelas veias.
- Mas quanto mais magra eu for, mais fácil vai ser o trabalho do meu corpo.
- Você não vê que tá louca? Por acaso as suas veias diminuem de tamanho? Você encolhe?
- Não encolho, mas fico mais leve.
- Se você não voltar a comer como uma pessoa normal (As pessoas normais comem, sabia?) Você vai ter falência do fígado (vai ter que transplantar e ficar mais de anos na fila). Você não quer isso, quer?
- Não.
- Ou então você vai sofrer uma falência dos rins. Você já teve problema no rim da outra vez que ficou sem comer, lembra?
- Lembro.
- Se seus rins pararem de funcionar, você vai ter que fazer hemodiálase, ficar quatro horas ligadas numa máquina em um hospital. Você também não quer isso, quer?
- Não. Mas eu não vou ter isso, porque eu como o suficiente pra viver.
- Você não tá vivendo, tá vegetando.
- Desculpa aeee, meu maior prazer na vida não é comer. Não vegeto por ficar sem comer. Não é doloroso ficar sem comer.
- A é, esqueci. Você gosta de sentir seu estômago vazio, né, doente?
- Não sou doente.
- É sim.
- Meu amor, só não quero que você fique doente e não tenha mais volta. Não quero você com uma anemia profunda, ou uma leucemia. Já pensou se você tem uma falência múltipla dos órgãos e morre também, igual a modelo?
- Se eu morrer não quero ser enterrada onde eu nasci.
- Onde você quer ser enterrada?
- Aqui.
- E se a gente estiver em outro lugar?
- Você manda meu corpo prá cá.
- Ou o que restar dele.
- Mas você então manda o que restar dele prá cá.
- Só se você morrer velhinha ao meu lado, de morte natural. Se você morrer antes do tempo de anorexia, eu te enterro na cidade que você nasceu.
- Lá não, por favor!
- Enterro sim. Fica sem comer e morre de anorexia pra você ver se não te enterro lá. Daí você vai ficar presa lá naquela cidade que você tanto odeia por toda a eternidade.
- Você teria coragem?
- Claro!
- Tá. Eu vou jantar.
- E vai comer maçã(*) de sobremesa?
- Vou comer o que você quiser.
- Tá.

(*): A maçã é pra ter certeza de que a anoréxica em questão não vai provocar vômito depois de jantar. (Dói muito vomitar maçã)

sexta-feira, 21 de março de 2008

De volta ao começo.

450.

E caindo. Tontura. Tremedeira. Dores. Fraqueza. Confusão Mental. Taquicardia. Melancolia. Desespero.

sábado, 15 de março de 2008

Minha bizarra relação com a comida

Fiz Mousse de Maracujá hoje. Fiz pensando em comer. Esperei gelar. Coloquei em uma taça cerca de 300 calorias (3 colheres de sopa). Sentei. Peguei a colher. Peguei um pouquinho de mousse. Coloquei na boca. Gosto horrível. Pura gordura e umas 60 calorias. Foi só o que eu senti.

Mas um dia eu já gostei de mousse de maracujá. Mas isso foi há muito tempo... antes de eu começar a me preocupar com calorias. Agora não sinto gosto mais. Só sinto calorias.

Pepino? Delicioso! (10 calorias - um inteiro)
Mousse de Maracujá? Horrível! (110 calorias - 1 colher de sopa)

Coloquei a taça de volta na geladeira. Amanhã o Tatu come. Come a taça e todo o resto.

terça-feira, 11 de março de 2008

Fome e Melancolia

Ando sem inspiração.
Ando melancólica.
Também ando sem comer, mas essa é outra história...

Mas às vezes acho que minha melancolia tem tudo a ver com minha falta de apetite. Não sei quem é causadora de quem, mas acho que elas estão de alguma forma interligadas. Sempre que estou sem fome estou melancólica, e sempre que estou melancólica estou sem fome. Mas não sei quem aparece primeiro.


PS: Talvez eu devesse mudar o título do blog para 'comer' é o melhor remédio...

segunda-feira, 3 de março de 2008

Muitas teorias, nenhuma solução

= 1 =

De acordo com Walter Kaye, da Universidade de Pittsburgh, sentir fome deixa qualquer um nervoso - mas sentir muita fome pode ter o efeito oposto. Para Kaye, a inanição impede que chegue ao cérebro uma substância conhecida como triptofano - essencial para a produção de uma molécula estimulante chamada serotonina. "Ao comer menos, as anoréxicas reduzem a atividade da serotonina no cérebro. Isso cria uma sensação de calma, ao mesmo tempo que elas estão morrendo de desnutrição."


= 2 =

Pesquisadores da universidade americana de Virginia acompanharam 2.163 gêmeas. Descobriram que 77 delas sofriam da doença. Os cientistas observaram que a ocorrência de anorexia era mais comum entre as gêmeas idênticas que entre as não-idênticas. Concluíram, portanto, que mais de 50% do risco de desenvolver o distúrbio pode ser atribuído aos genes. Outros trabalhos isolaram uma área específica do genoma humano em que ocorrem mutações que podem influenciar o surgimento da doença.


= 3 =

"... Se nos aprofundarmos nesta idéia vamos encontrar autores e teorias que associam anorexia a uma vontade de permanecer na infância, de não crescer, um medo de amadurecer."


= 4 =

"A verdade é que nos últimos anos e embora a classificação internacional das doenças mentais ainda defina a anorexia como uma patologia do comportamento, algumas teorias mais recentes apontam para que este distúrbio comece a ser visto como tendo por base uma dependência."


= 5 =

As alterações na cognição, levando a sentimentos de angústia e resultando em comportamento anormal, são as causas dos transtornos alimentares (Garfinkel e Garner, 1982). A perda de peso pode ser vista como alívio para a angústia e inquietação.


= 6 =

Exposição hormonal no útero pode ser causa de anorexia: Estudo britânico acredita que a doença pode surgir devido a uma forte exposição hormonal dentro do útero. A pesquisa foi efectuada por investigadores da Universidade de Sussex, afirmando que uma produção elevada de estrogénio pelas mães pode afectar a estrutura cerebral do bebé, tornando-o mais susceptível de vir a desenvolver um distúrbio alimentar.


= 7 =

"... as alterações hormonais que ocorrem durante a puberdade e as disfunções de neurotransmissores cerebrais, tais como a dopamina, a serotonina, a noradrenalina e dos peptídeos opióides podem levar a um quadro de anorexia..."


= 8 =

Segundo Buckroyd (2000), estas pessoas precisaram desenvolver um quadro de anorexia nervosa para resolver um conflito interno. Só que, como este conflito está procurando ser resolvido fora do tempo, depois de ter sido reprimido e bruscamente despertado, ele manifesta-se sob a forma de uma doença psíquica.


= 9 =

O que a anoréxica deseja é ser magra, não necessariamente para ser bela, e sim para demonstrar outro tipo de poder: o de controle sobre si mesma.


= 10 =

“Algumas teorias psicológicas dão explicações mirabolantes, mas a verdade é que cada pessoa tem o seu gatilho", afirma um tal de Nabuco.

domingo, 2 de março de 2008

Melhorando?

Hoje eu não tomei café nem almocei (como de costume), mas jantei duas vezes! ... E as duas jantas continuam no meu estômago!

Não é fantástico? :)

sábado, 1 de março de 2008

Entenda (de uma vez por todas!) a (minha) ANOREXIA

(Este depoimento foi escrito em partes, ao longo dos 4 anos em que tive anorexia. Então, não sei ao certo sua data de publicação. Entendi a causa da minha anorexia no início de 2008, 'tratei' a causa e desde então não tive mais nenhuma recaída. Eu deixei de me enxergar gorda no espelho em Outubro de 2008, inexplicavelmente.)

"Estou tomando uma atitude que considero muito corajosa hoje.

Em parte, pelo fato de estar cansada me me esconder. Mas acho que o motivo principal é não ter como desabafar, então acho que vou usar o blog. Não queria fazer isso, porque o objetivo principal deste blog, quando criado, foi de deixar registradas as gracinhas de minha filhinha e as bobeiras que acontecem no meu dia-a-dia.


Mas resolvi falar sobre isso aqui, agora. Se eu mudar de idéia, apago os posts depois, mas no momento, EU PRECISO DESABAFAR. Pensei em reativar um outro blog que eu tinha para desabafos, mas também estaria me escondendo.

Nunca disse isso antes porque acho que há um preconceito muito grande quanto à anorexia... e eu cansei de ser xingada de coisas como "fresca", "louca", "patricinha mimada", etc. Bom, eu acho que já superei bastante, atualmente peso 53 kg (tenho 1,65 de altura), mas tenho algumas recaídas de vez em quando, algumas dificuldades com as quais convivo diariamente e tive que tomar algumas medidas drásticas. Vou explicar por partes:


As recaídas

Acontecem esporadicamente. Às vezes porque acordo me sentindo absurdamente gorda, às vezes porque passo por algum momento muito stressante e, o fato inédito, é esta recaída que estou tendo agora, porque tive um resfriado que me fez perder o apetite.


Quando dei por mim, já estava comendo poucas calorias por dia já fazia algum tempo. Acordei esses dias, e ao passar a mão pelo meu tórax, senti um ossinho que fazia um tempão que eu não sentia. Eu estava mais magra.

Não vou mentir, fiquei feliz. Me lembrei de como era prazeroso acordar dia após dia e me sentir cada vez mais magra, descobrir um osso que eu nunca tinha sentido. É, eu sei, é doentio... mas é isso que a anorexia é: uma doença. Não é um estilo de vida, não é uma modinha (pelo menos pra quem tem de verdade), não é frescura. É doença.


Antes dessa recaída que estou tendo agora, tive uma outra recaída bem séria, que atacou os meus rins e me fez desmaiar algumas vezes.
Eu não conseguia mais trabalhar, de tão fraca que fiquei. Tinha crises de hipoglicemia e não conseguia ficar em pé. Tive que ir para o hospital. Tomei algumas vitaminas, antidepressivo... comecei minha batalha toda novamente (ir comendo aos poucos).
Essa recaída que me fez ficar de cama me assustou bastante porque eu nem cheguei a emagrecer. Nem fiquei muitos dias sem comer. Acho que meu ornanismo ainda não tinha se recuperado da recaída que havia tido antes dessa.
Eu pensei que ia morrer e decidi que não importava o quão gorda eu ficasse, nunca mais ia ficar sem comer. E fiquei 6 meses comendo normal. Aí tive uma gripe, em Fevereiro deste ano (2008) e estou nesta recaída até hoje (Março/2008).

Antes de continuar, gostaria de esclarecer algumas coisas:

1. Nao tive anorexia fazendo regime por desejar esse padrão de beleza imposto pela mídia. Então, não deixe um comentário dizendo que sou retardada, porque eu não sou. Minha anorexia teve uma causa muito mais complexa que um padrão de beleza imposto pela mídia.


2. É... hoje eu tenho ânsia porque quando comia mais de 100 calorias por dia, provocava vômito para tirar o excesso. Também é culpa minha. Você também não precisa deixar um comentário me dizendo isso.

3. Não sou pró Anna/Mia e odeio essa modinha. Então, se você é, não me adicione. Se você odeia quem é, não perca seu tempo me odiando, porque eu não sou.

4. Sim, eu me acho absurdamente gorda. Sua opinião não vai mudar isso, então, não perca seu tempo me deixando um comentário dizendo que sou magra.

5. Não vou ensinar ninguem a 'pegar' anorexia e a 'miar', então, também não adianta deixar um comentário aqui me perguntando, porque eu não vou responder. Também não adianta querer me perguntar essas coisas fingindo ser um trabalho de escola... já fui entrevistada inúmeras vezes e conheço a diferença entre uma entrevista com fins acadêmicos e uma com fins 'doentios'.


Agora posso continuar:

Dificuldades com as quais convivo

Tenho que fazer um esforço descomunal para comer. Não é que eu queira deixar de comer para emagrecer, mas o que acontece é que a comida parece crescer na minha boca.


Um garfo de arroz com feijão parece se tornar um elefante quando começo a mastigar. Na maioria das vezes, mastigo e engulo a comida nos intervalos das ânsias que tenho quando estou comendo.

Acreditem, o que é um prazer para muitas pessoas, pra mim é um momento torturante. Algumas vezes como chorando.


Choro porque enquanto estou comendo, tenho que convencer o meu estômago de que não é uma boa hora para vomitar.

Choro porque queria gostar de comer. Choro porque sei que se não comer, vou voltar a ficar doente.

Choro porque, às vezes, depois de tanto esforço pra comer uma comida deliciosa, que meu marido levou horas pra fazer, meu organismo simplesmente decide que não quer que essa comida fique no meu estômago.

Não, eu não vomito de propósito. Já passei dessa fase. E eu não tive bulimia... nunca fui uma daquelas maníacas compulsivas por comida que consomem 2000 calorias de uma vez só e depois vomita tudo. Eu vomitava quando comia 300 calorias por dia ao invés de 100.

Nunca consegui comer muito. Mas eu já vomitei de propósito sim; vomitei tanto que com o tempo eu aprendi a movimentar meu tórax de forma que causasse contrações no meu estômago. É, é doentio também, eu sei. Mas não faço isso há muito tempo. Hoje eu só queria conseguir comer sem que isso fosse uma tortura.
Quando consigo comer depois de muito esforço, vem a parte mais difícil: segurar a comida no estômago. Eu tomo água, fumo um cigarro (sim, fumar ajuda), lavo meu rosto com água fria (também ajuda), tomo um banho quente e não faço esforço físico até a digestão estar completa.


É um martírio. Comer fora de casa é pior ainda. Preciso ficar vários minutos sentada, pra comida 'descer'.


O início...
Fui uma gordinha feliz até os 12 anos. Nesse ano, uma tia distante de minha mãe veio passar férias em casa e se assustou com minha gordura. Minha mãe ficou encanada e me levou à um médico que me deu moderadores de apetite. Moderadores de apetite a uma criança de 12 anos. Quem é o doente??

Emagreci muito, e fiquei em um emagrece/engorda até os 17 anos. Daí estabilizei nos 59 quilos e esqueci os regimes. Até os 19 anos, quando fiquei pela primeira vez com 47 quilos.

Aí engordei novamente, e só fui emagrecer novamente quando engravidei de minha filha. Engrevidei com 59 quilos e dei à luz com 54. Ao invés de engordar 9 quilos, eu emagreci 5. Não foi culpa minha. Por um destes insondáveis mistérios da natureza, eu tive enjôo durante os 9 meses, e só sopa e iogurte paravam no meu estômago.

Mas eu comecei a comer só 100 calorias por dia só aos 24 anos. Não sei muito bem como isso aconteceu. Me lembro que um dia eu estava almoçando... e de repente perdi a fome porque me vi inacreditavelmente gorda, parecia que eu tinha 80 quilos. Me pesei e a balança me dizia 59. Mas eu não acreditava no que a balança me dizia... acreditava no que os meus olhos viam. E eles enxergavam uma baleia na frente do espelho.


Não sei como isso pode acontecer, nem os médicos sabem... só sei que não importa o quanto a gente emagreça, a gente nunca se enxerga magro.

Nessa época em que comia só 100 calorias por dia, eu cheguei a pesar 45 quilos, e ainda via a mesma baleia de 80 quilos no espelho. Talvez um erro crucial tenha sido abandonar a balança, pois era ela quem me dizia a verdade.


Mas quando percebi que os quilos na balança diminuiam e a minha imagem no espelho não, eu desisti dela.

O que eu sentia era algo realmente doentio. Quando eu acordava, passava a mão pelo meu corpo, pra ver se tinha emagrecido. E mesmo que eu tivesse, ao me olhar o espelho, a sensação de magreza desaparecia.

Talvez a mesma coisa que faça a gente se ver gorda seja o que faça a gente também se preocupar tanto com isso. Sim, porque tem gente que é muito gorda e é muito feliz. Mas pra quem tem anorexia, é a morte.


O diagnóstico

Descobri que tinha anorexia aos 26 anos, quando meu namorado (que na época era apenas meu amigo) me perguntou o quanto eu queria emagrecer. Eu mostrei a ele a foto de uma amiga (bem mais gorda do que eu) e disse que quando tivesse com o corpo mais ou menos como o dela (que eu achava lindo), pararia de fazer regime. Ele me disse que eu já estava bem mais magra do que ela. Eu fiquei um pouco confusa... mas não acreditei.

Alguns dias depois eu fui na casa dessa amiga e ela começou a dizer que eu estava doente, de tão magra. Eu disse que ela era bem mais magra do que eu... e ela ficou assustada.

Ela me levou pra frente do espelho e ficou ao meu lado, pedindo para que eu olhasse bem. Eu continuei insistindo que ela era mais magra. Não era culpa minha... a minha imagem que eu via no espelho era a de uma mulher de 80 kilos.

Ela me mandou tirar a roupa, tirou a dela também, vestiu a minha e me mandou vestir a dela. Foi nesse momento que percebi que tinha algo errado com a imagem que eu via no espelho. Minha roupa não entrou nela, e a dela ficou absurdamente larga em mim. Nesse dia a ficha caiu... e eu percebi que estava mesmo doente. Busquei tratamento, que não deu muito certo, e fui voltando a comer aos poucos.

Foi muito difícil porque já fazia mais de um ano que eu comia menos de 300 calorias por dia. Nos últimos meses, tinha comido só 100.


Meu cérebro (quando não estou tendo recaídas)

Mesmo quando não estou tendo recaídas, meu cérebro atua de maneira estranha. Por exemplo, o gosto da comida é medido por ele através de quantas calorias essa comida tem. Exemplo: Eu gosto mais de um prato de abobrinha refogada (que tem 32 calorias) do que uma colher de mousse de maracujá (que tem 110).

Não consigo mais achar gostoso o alimento que é muito calórico. Mousses, doces, massas... Eu me lembro que era muito gostoso... mas na hora que vou comer, não consigo sentir o gosto.

Sorvetes... meu namorado compra e eu como um pedaço. O fato de meu marido gostar muito de doce ajuda... não sei se pro bem ou pro mal.

Exemplo: Quando vivia com meu ex-marido, que não gostava muito de doces, eu comprava um chocolate prestígio e levava uma semana pra comer. Dividia em 7 pedaços e comia um pedaço por dia. Com meu marido, eu como só os pedaços que quero... sem ter que comer o doce inteiro. Estão vendo?? Minha mente é maquiavélica...


Porque ainda não morri

Talvez o fato de eu não ter adoecido gravemente ainda é que eu me considero um pouco mais responsável do que as outras pessoas que tem anorexia. Já vi mulheres que, se elas tem que passar o dia com 300 calorias, elas comem 3 colheres de leite condensado. E não comem mais nada.

Quando eu só comia 300 calorias, eu comia muita coisa:

300 Cal = 1 prato de abobrinha + 1 pepino inteiro + 1/2 pote de iogurte light + 1 prato de alface + 1 sanduiche com pão e presuntos light + 1/2 barra de cereais light

Parece pouco, mas pra quem tem anorexia... é um absurdo de comida! Esse foi o meu cardápio por vários meses. Eu mudava as verduras e os legumes... mudava o tipo de pão... o tipo de presunto... o sabor do iogurte... mas tudo light. Algumas vezes trocava tudo isso por um pouco de arroz com feijão... mas era raro. E uma vez por semana eu comia carne... geralmente fígado.


Medidas drásticas que tive que adotar

Não tenho mais espelho grande em casa. Só tenho um espelho no armário do banheiro, suficiente para pentear meus cabelos. Assim, não me vejo nua e esqueço que sou gorda. Sim, eu me acho gorda. Eu sei que todo mundo diz que tenho um peso normal, mas me olho no espelho e vejo uma baleia.

Procuro comer quando tenho fome (sim, às vezes isso acontece), não importa que sejam 3:00 da manhã. Se como quando estou com fome, é mais fácil não vomitar.

Evito comer coisas muito calóricas. Evitar a consciencia pesada por ter ingerido muitas calorias evita que eu tenha uma crise de bulimia e vomite por querer.

É assim a minha vida.

Quer saber o que eu tenho sentido nesses últimos meses?

Tenho sentido tonturas, dores musculares, fraqueza (muita fraqueza), tremedeira e falta de ar. Já me acostumei com estes sintomas, eles se tornaram parte da minha vida. Mas tenho me esforçado muuuito pra comer. Estou me esforçando.

Juro que estou.

Bom, é isso que eu tinha pra dizer.

Mais uma vez...

perdoem os meus desabafos...


sábado, 2 de fevereiro de 2008

A colega e a senhora bizarra


Quando passei no vestibular, em 1997, eu fui morar em Ivapora com uma menina da minha cidade natal que ia estudar na mesma faculdade.

Alugamos uma casa e fizemos um acordo: como alguem da familia dela tinha um supermercado, ela ficaria responsavel por comprar e fazer comida e eu pagaria o aluguel e limparia a casa. Eu paguei 3 meses de aluguel adiantado e limpava a casa todos os dias...  e ela comprou um quilo de arroz e uma mortadela!

Eh claro que eu nao esperava que ela comprasse guloseimas, queijos e iogurtes (artigos de luxo pra universitario que mora fora), mas... arroz e mortadela como "comida" TODOS OS DIAS nao era bem o que eu tinha mente quando fizemos o acordo...

Pois bem, gente... segui almoçando e jantando mortadela por mais ou menos um mes... atè que comecei a comprar minha propria comida. Algumas semanas depois me dei conta que eu estava pagando o aluguel, limpando a casa e comprando e fazendo comida pra mim e pra ela... porque assim que comecei a comprar comida, ela parou de trazer  "arroz e  mortadela" e passou a comer o que eu comprava.

Eu ganhava R$180,00, pagava R$240,00 de faculdade, o alguel, livros, xerox, despesas varias... enfim... a comida pra nos duas começou a pesar DEMAIS no meu orçamento e vi que custava menos comer na casa de uma senhorinha na frente de casa (que me fazia R$3,50 o prato de comida) do que comprar comida pra mim e pra minha "amiga" de quarto.

Ela nao gostou, me perguntou "por que" eu nao tava mais fazendo e comprando comida, ficou emburrada por alguns dias... e depois voltou ao seu "Arroz e mortadela".

Depois de 2 meses o problema nao era mais a comida... o problema era os novos amigos que fiz na faculdade. Ela tinha um ciumes doentio de mim e toda vez que eu passava o intervalo com alguem que nao fosse ela, a bicha ficava emburrada e o retorno à casa era uma coisa horrivel.

Depois a menina começou numas de me pedir din-din emprestado. Mas nao era uma coisa tipo:
" - tem vintinho pra me emprestar?
- quem me dera!"
E fim de papo. NAAAAO. Era uma coisa do tipo:
"- Voce pode me emprestar uma grana, to precisando demaaais!
- Nao tenho...
- Eu sei que voce tem!
- Sim, eu tenho, mas è pra comprar o livro de lògica...
- Eh nada! Eu SEI que voce pode me emprestar!
- Mas eu nao posso..."
- Voce nao QUER, è diferente!..."
Enfim, o dialogo se alongava por horas e horas e eu nao emprestava o dinheiro porque eu realmente nao tinha! Aì a criatura ficava brava e ficava sem falar comigo por dias...

Qando ela viu que eu nao podia emprestar dinheiro, começou a pedir folhas de cheque. Eu jà conhecia a fama dela de caloteira na cidade (foi por isso que o acordo era que ela comprasse a comida... e nao o aluguel) e eu sempre dizia que as folhas tinham acabado, ou que o talao estava com meu pai. A coisa era SERIA gente, voces nao tem noçao. Lembro de uma vez que ela, desesperada, disse que precisava de uma folha de cheque para comprar absorventes. Eu disse que nao estava com o talao e ofereci os meus, mas ela nao quis. Alguns meses depois a dona de uma loja de sapatos veio em casa, procurando por ela para receber uma prestaçao atrasada. Ela atendeu a mulher e enrolou, enrolou... atè que a mulher desistiu e foi embora, dizendo:
"Eu sabia que nao devia vender pra voce sem cheque, eu sabia!"

Fiz as contas e ficou claro que aquele cheque que ela queria para comprar "absorventes" era, na verdade, pra comprar sapatos. 
Foi a gota d'agua!

Falando para a senhorinha que fazia o meu almoço que eu queria encontrar outra casa, ela me ofereceu um quarto para alugar. Eu aceitei e foi uma das piores coisas que eu fiz na minha vida.

Vamos deixar de lado o fato de que ela fazia comentàrios do tipo: "Dà pra ele, Gisa, dà pra ele! Eh bom demais dar!" na frente do meu namorado (porque naquela època eu tinha um namorado mas nao fazia sexo, o que a deixava perplexa)... e vamos deixar de lado tambem o fato  de que ela contava isso pra todo mundo e que isso me deu uma certa imagem de "virgenzinha burra" na cidade, fazendo com que todos os homens de ètica duvidosa daquela cidade quisessem me papar, coisa que voces jà sabem como terminou. Nao acho que ela foi culpada, mas acho que minha vida teria sido muito mais simples se ela nao tivesse feito tanta publicidade do meu hìmen. 

Tambem vamos deixar de lado o fato de que ela era macumbeira (nao me interessa se è errado dizer, pra mim quem faz macumba è macumbeiro, mesmo) e que ao chegar em casa eu sempre encontrava, embaixo da minha cama, velas pretas e cachaças de todos os tipos, alèm de encontrar objetos estranhos dentro dos meus travesseiros e no meio de minhas roupas! 

Vamos deixar tudo isso de lado. O que me fez deixar sua casa foi uma coisa muito mais simples: o aumento do preço do aluguel! Em 3 meses ela subiu o preço 3 vezes, quase duplicando o valor no ultimo mes porque - segundo ela - eu gastava MUITO papel higienico! Hahahahaha

Depois dessas duas experiencias eu resolvi ir morar sozinha... e a continuaçao da història tà là onde voce achou o link pra essa historinha boba aqui!
By Gisa