segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Racismo ou... meus dias de cao!

Para quem nao sabe, eu morava na Lombardia. Perto de Milano. Pròximo ao aeroporto de Malpensa, para ser mais exata.

Agora estou morando perto de Venezia. E estou tendo problemas para me adaptar.

O motivo? Racismo.

Esta regiao é estremamente racista e preconceituosa. E eu tenho sentido isso na pele: nao apenas nos olhares que me lançam òdio ou desprezo, mas também nas atitudes e palavras de pessoas que jà se esqueceram que os italianos também foram imigrantes no Brasil.

Eu pensei em crirar um novo Blog, sò para falar disso (e posts nao faltariam), mas entao pensei melhor. Meu blog é sempre meu blog, e foi sempre mais escrito para desabafar que para atrair leitores. Entao vou começar. Como se diz em italiano "Tutto qui"!

Mais ou menos uma semana depois que eu cheguei aqui, o Henry marcou uma hora com uma agencia de imòveis, que deveria me mostrar uma casa na qual haviamos interesse em comprar. Eu aproveitei para passar na "Tabacaria" comprar cigarros.

E foi ali que tudo começou. A tabacaria abria às tres,  faltavam 5 minutos. Mas a porta estava aberta e o responsàavel pela tabacaria estava parado na porta, conversando.
Vendo a porta aberta, fui entrando...

- Està fechado!
- Hun. Mas eu sò quero um cigarro, voce nao pode me vender?
Me lançando um olhar de desprezo e superioridade, o animal em questao me respondeu:
- Abre às tres. Se quer cigarro, espera aqui fora ou volta depois.

Vendo o olhar cheio de òdio e a voz plena de desprezo que ele me lançou, eu lembrei que jà tinha visto isso. Era mais ou menos duas noites antes. Eu entrei nesta tabacaria e tinha 3 pessoas na minha frente: Uma estrangeira afro-descendente, um italiano e eu. Este mesmo senhor tratou mal a estrangeira, depois foi sò risos e gentilezas com o italiano, e ao chegar a minha vez, ao inves de responder ao meu "boa noite",  me disse de modo àspero:
- Cosa voile? (O que voce quer?). Ali, naquele momento, nao percebi o ocorrido. Em um ano de Italia, eu nunca tinha passado por uma situaçao assim, e nao entendia o motivo de sua agressividade.

Eu nem esperei, nem voltei depois. Fui à outra tabacaria.

Depois fui ao "encontro marcado" para ver o apartamento e nao tinha ninguèm. Liguei para a agencia:
- Boa noite. Eu poderia falar com o senhor "Blabla"?
- Ele nao pode atender.
Como a pessoa nao perguntou o que eu queria, ou se poderia me ajudar, eu continuei:
- Eh que eu estou aqui no ponto de venda para ver um apartamento e nao tem ninguèm. O senhor sabe me dizer se retorna alguèm aqui?
Com uma risada debochante seguido de um tom extremamente agressivo, a pessoa no outro lado da linha respondeu:
- HAHAHA. Nao tem ninguèm ai porque hoje nao è dia de mostrar apartamentos.
- Mas tem um cartaz aqui que diz que hoje eh dia e...
Fui interrompida antes de terminar a frase:
- Nao importa. Nao tem ninguem que possa te mostrar nenhum apartamento.
- Entao tire esse cartaz daqui, porque as pessoas veem esse cartaz e pensam que tem alguem aqui HOJE. (estava me referindo a um cartaz colado na parede, que dizia que naquele dia teria uma possoa responsavel pelos apartamentos ali).
- E depois, continuou ele em tom desafiante, jà està escuro, nao pode se ver bem.
- Nao sei onde voce estàa, mas aqui onde estou tem um sol estupendo.
- Bem, nao importa, porque nao tem ninguem que possa ir ai sò para fazer voce ver um apartamento.
- Mas eu tinha hora marcada.
- Com quem?
- O meu marido, o Dr. "Fulano", tinha marcado hora com o senhor "Blabla".
Quando eu disse a palavra "Doutor", a voz àspera se transformou em um doce, e ele disse:
- A senhora pode aguardar um momento, por gentileza?

Eu nao respondi. Um outro senhor veio ao telefone. Era o senhor que antes, quando eu era uma mera "straniera schifosa" (estrangeira nogenta), nao podia me atender. Mas agora eu tinha deixado de ser estrangeira para ser a esposa do "Doutor algumacoisa". Agora eles me tratavam com respeito e atè me chamavam de senhora.

- Me desculpe, senhora, houve um engano. Se a senhora quiser, eu mando meu filho agora para te mostrar o apartamento...
Agora fui eu que o interrompi:
- Agora è tarde. Eu tenho outras coisas para fazer.
- Se a senhora quiser podemos marcar um outro encontro...
- Falo com o doutor "Fulano" primeiro. Arrivederci.

Quando contei ao Henry e aos pais do Henry o que tinha acontecido, eles ficaram putos. O Henry ligou ao senhor "Blabla" e perguntou porque ele havia me tratado mal. O senhor "Blabla" disse que era um mal entendido.
- Espero que nao seja devido ao fato dela ser estrangeira. Se for isso, è lamentàvel e demonstra ignorancia.
- Nao, nao, senhor, absolutamente, nao è este o caso.
- Ok.

Devo dizer que em um ano de Lombardia, nunca tinha passado por isso. E passei por muitas outras. Mas sao casos para outros posts.

Abraços a todos!


PS: A falta de acentos é devido ao uso de um PC italiano...
PS2: Nao publiquei ainda os comentarios dos posts anteriores porque primeiro quero responde-los! Desculpem a demora!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A quem possa interessar...

... Estou bem. Depois de 1 ano (exatamente 1 ano, sem um dia a mais nem a menos) deixei a familia em que trabalhava, em Milao... para "outras paragens".
Casa nova, vida nova... tudo bem.
Beijos a todos.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

... e coisas estúpidas também me atraem

Pessoas perdidas sempre andam em círculos!

"Um estudo elaborado pelo Instituto Max Planck de Biologia Cibernética em Tubingenna na Alemanha descobriu que as pessoas realmente andam pelos mesmos lugares quando não têm pontos de referência confiáveis.

Segundo os pesquisadores Jan Souman e Marc Ernst, os cientistas usaram sistemas GPS para registrar os caminhos.Os resultados mostraram que os andarilhos só conseguiam manter uma linha reta quando o sol ou a lua eram visíveis. Quando o sol sumia atrás de algumas nuvens, as pessoas começavam a andar em círculos sem perceber."

hahaha. Falta do que fazer?? Eu??

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Entendendo as coisas...

(Melissa olhando mais uma das centenas de caixas com presentes para ela que o Henry mandou ao Brasil):

- Vó, eu vou morar na Itália?
- Um dia você vai, bebezinho. Mas enquanto a mamãe estiver trabalhando, você vai ficar aqui com a vovó...
- Mas você quer que eu vá embora, vó?
- A vovó não quer que você vá, mas o seu lugarzinho é junto com a mamãe...
- Mas você vai ficar triste?
- Eu vou...
- Mas eu posso ir morar com minha mãe?

:)

Notícia melhor não existe para uma mãe que morria de medo de ela não querer mais morar comigo e 'decidir' ficar com minha mãe....

PS: Eu sei que crianças de 6 anos não decidem as coisas. Mas seria triste, por exemplo, ver ela chorando desesperadamente por TER que vir morar comigo!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sapatos - parte II - Atendendo a pedidos!

Tá. O nome 'atendendo a pedidos' foi só pora fazer eu me sentir importante. Mas UMA pessoa pediu as fotos!! hahaha Então, atendendo a ESSE ÚNICO pedido, eu vou colocar as fotos aqui.

Bom, primeiro preciso dizer que o sapato preto de bolas brancas já tinha acabado. Mas tinha um muito parecido, em cor diferente. Comprei-o-o.

Também comprei outras sandálias, que eram super sexys (o Henry vai amar me ver vestida SÓ com elas) lindas de morrer!

Vamos por ordem:

Sapato de Bolas: (De 205 euros por 9,90)


Sandália de pedras rosas: (De 105 euros por 9,90)



Sandália super sexy de usar só com lingierrie de pedras vermelhas: (De 105 euros por 9,90)



Sandália de pedras brancas: (De 105 euros por 9,90)



Gostaram?


PS: Homens com fetiche em pés, por favor não me encham o saco deixem comentários. Sou uma garota devidamente comprometida! :P HAHAHA

Sapatos

Oi pessoas :)

Faz um tempão que eu não escrevo um post assim... superficial... só pra falar asneiras... Blehh... hoje me deu vontade.

Hoje eu vou comprar sapatos. É, eu disse que era superficial. Mas estou feliz que vou comprar sapatos. O motivo? Há quase um mês eu vi um sapato preto de bolas brancas, super a minha cara... mas a loja estava fechada para férias e só reabre hoje.

É, não é o meu tipo estar ansiosa por comprar alguma coisa (http://ronnize.blogspot.com/2008/07/mulher-que-no-gosta-de-shopping.html)... mas é que aqueles sapatos são lindos de morrer. E está em promoção.

Detalhe: Aqui na Itália as promoções são loucas e não são como no Brasil. Por exemplo, aqui as promoções costumam ser de 50, 60, 70, 80% de desconto. Tanto desconto faz até quem não gosta de shopping (eu) amar fazer compras. Sei lá, faz a gente se sentir esperto. Tipo: "Eu sou demais... comprei por 9 euros um sapato lindo que custava 90".

E eu tendo a me apegar demais aos produtos que comprei em promoção. Não sei porquê. Por exemplo, tem uma sandália que eu só uso se for extremamente necessário. Em ocasiões muito especiais. O motivo? Se eu estragá-la, onde vou conseguir comprar, uma outra sandália tão linda, pelo mesmo preço mórbido que paguei?? É impossível!

É, eu sou louca. Eu sei. Minha linha de raciocínio é, geralmente, muitos anos-luz distante da linha de raciocínio normal das pessoas. Mas não penso que isso faz de mim uma louca... penso que me faz original. E muito modeeeeesta, também ;)

Bom, a loja deve abrir em 1 hora... eu vou me preparar... vejo vocês depois.
Se eu tiver a sorte de encontrar meu número, eu coloco uma foto aqui pra voces babarem verem.
Até mais!

PS: É, eu sinto sim um pouco de vergonha de colocar aqui um post tão besta. Mas só um pouquinho...
PS2: Henry, te amo!
PS3: Espero que você continue a me amar depois desse vexame.
PS4: Eu acho que sim, porque nós dois sabemos que você é tão louco quanto eu!

sábado, 18 de abril de 2009

Blogagem Coletiva - Quem foi seu Monteiro Lobato?

"Emagrecido."

Esta foi a primeira palavra que meu irmão mais velho, meu Monteiro Lobato, leu para mim. Era um trecho do livro 'Maldição do Cigano', de Stephen King, autor que meu irmão adorava.

Eu tinha 9 anos. O livro era um suspense, mas lembro-me claramente que o trecho que ele leu me deixou fascinada. A partir deste dia, todas as noites eu andava até o seu quarto e pedia para que ele me contasse como andava a história. Era um novo mundo para mim, um mundo cheio de palavras que eu não conhecia e pleno de criatividade.

Depois de algum tempo, essa atitude nossa se tornou quase um rito: todas as noites, antes de dormir, ele me chamava e lia os trechos mais importantes do livro para mim. Deste e de tantos outros livros que ele lia. (Meu irmão é um 'devorador' de livros...)

Um dia ele me deu a idéia de ir à Biblioteca Municipal emprestar um livro. Eu fui e voltei com dois livros infantis, cheios de figuras, mas que não tinham mais que 3 linhas em cada página. Eu estava empolgadíssima, mas ele ficou transtornado:

"- Com tantos livros decentes para sua idade, porque você pegou esses, que são livros de se ler para bebês?"

(Risos)

Ele tinha razão. Eu li os dois livros em 10 minutos e depois não tinha mais nada para ler. Então fui até o seu quarto e pedi que ele me desse um livro. "Carrie" foi o nome que mais me chamou atenção, em meio à tantos títulos e livros enormes. Assim, Carrie foi o primeiro livro que eu li. É uma literatura estranha para uma criança de 9 anos, mas não era a história do livro em si que me fascinava, e sim todo o mundo de prazer e criatividade que a literatura me proporcionava.

Depois de ler Carrie, fui à Biblioteca e emprestei "A ilha do Tesouro". Depois li mais alguns livros de Stephen King... Mas o gênero 'suspense' de Stephen King logo deu lugar à outros gêneros, que me agradavam mais: Julio Verne, Charles Dickens, Agatha Christie, Robin Cook...

Anos depois, conheci autores brasileiros maravilhosos: Luís Fernando Veríssimo, Jorge Amado (sobretudo seus livros 'políticos'); e através do meu irmão também descobri uma paixão: A História das Guerras, sobretudo da Segunda Guerra. Isso porque um dia ele chegou em casa com um livro que contava a história de Hitler, que eu nem imaginava quem fosse. Quando ele me contou um pouco do livro, eu fiquei curiosíssima. Depois que ele terminou de ler, eu o li. "Como alguém pode fazer isso com um outro ser humano?"... Essa é a pergunta para a qual procuro resposta até hoje (21 anos depois). Ao longo desses 21 anos, livros sobre a Segunda Guerra foram meus preferidos.

Assim, meu irmão não só me impulsionou a ler, como também foi responsável por meu gênero preferido (livros históricos). E aquele livro sobre Hitler foi muito importante em minha vida. Primeiro, porque me fez ter uma consciência humana muito avançada, desde criança. Todo adulto seria uma pessoa melhor se lesse aquele livro, é o que eu penso. Saber do Holocausto e do sofrimento que um ser humano causou a milhões de pessoas me fez uma pessoa melhor, menos egoísta e mais grata por coisas que para mim eram muito simples - como comida, brinquedos e liberdade.

E também aquele livro despertou em mim uma paixão que mantenho até hoje, e que foi responsável pela escolha do meu curso na universidade: a paixão pela pesquisa e informação. Comecei a pesquisar sobre Hitler, o que me levou ao nazismo, que me levou à Segunda Guerra, que me levou à Primeira... e assim por diante.

"Ciência da Informação" - é meu campo de estudo. Assim, posso dizer que meu irmão foi mais que meu Monteiro Lobato... ele ajudou, através da leitura, a formar o meu caráter. E isso é o maior presente que um ser humano pode dar a outro.

Por isso, Binho, a você eu dedico esse texto, com todo o meu
carinho e com toda a minha saudade. Chocolates roubados à parte, fuçar no seu armário sempre me trouxe grandes descobertas literárias! (ihihih)


PS: "Chocolates roubados" se refere ao fato de que, sempre que abria seu armário atrás de algo para ler, acabava encontrando chocolate para comer. E comia tudo, sempre!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Presente!

Uma música especial para um brasileiro especial...


Fafá de Belém - Hino Nacional Brasileiro

terça-feira, 14 de abril de 2009

Só porque viu tulipas, pensa que é fotógrafa

Domingo passado eu fui a um lugar maravilhoso: Um lago próximo de onde eu moro, chamado Lago Maggiore. Lindo!

Um espetáculo à parte eram as tulipas que encontrei ali: Ai, meu Deus... eu quase enlouqueci! Quem acompanha esse blog desde quando ele tava no Spaces, sabe a loucura que tenho por tulipas... e eu nunca tinha visto nenhuma assim, 'in natura', na terra... tive que fazer um esforço descomunal para não arrancar uma e trazer pra casa... Bom, mas as fotos eu trouxe... estão bem aí embaixo, pra vocês verem!


O mais engraçado é que, em meio à minha ignorância, eu nem sabia que existiam tulipas brancas!






"Per non Dimenticare": Significa, em italiano 'para não esquecer'. Este é um monumento feito em alusão à Primeira Guerra. Muito bonito.

As fotos do Lago, em si, eu posto amanhã, ok?

Beijinhos!

...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Blogagem Coletiva!

Visitando o blog do Marcelo (Abrazar la vida) eu encontrei algo interessantíssimo: Uma blogagem coletiva voltada aos livros:

O desafio trata-se de um convite oferecido ao blog Fio de Ariadne pela Jorge Zahar Editor, para uma blogagem coletiva no dia 18 de abril, dia em que se comemora o Dia Nacional do Livro.

O Dia Nacional do Livro foi criado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002 e é comemorado em 18 de abril em homenagem a Monteiro Lobato, figura marcante da literatura brasileira, atuante como escritor, crítico e editor.

Achei muito interessante a proposta pois, ao mesmo tempo, será possível lembrar a data, falar de Lobato e discutir um tema importante: Como são feitos os leitores? Como eles nascem e como são moldados? Com esta coletiva Ariadne busca a resposta para a seguinte pergunta: Quem foi seu Monteiro Lobato? Houve alguém na sua vida que tenha sido incentivador de seu amor pela leitura? Qual foi o pontapé inicial da sua jornada por este mundo
apaixonante que é a literatura?
É um desafio muito inteligente, e com um tema que me agrada muito. Por isso, decidi participar!
Se você também quiser, veja como no blog da Ariadne:
By Gisa