segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Se não machucou, não houve falta?

Ontem, folhando uma revista, encontrei um artigo que falava sobre respeito e ética. Bom, não tive tempo de ler muito, mas me inspirou a terminar este post que estava 'rascunhando' faz tempo.

Prontos, crianças? Então vamos lá!

Ética é algo que se aprende quando é criança e que é impossível se conquistar depois de adulto. Tomo como exemplo meu ex-marido e eu. Meu pai é a pessoa mais ética que já conheci e ele soube muito bem me ensinar isso quando criança.
Meu ex-marido só veio a aprender o que era ética depois de grande e, embora não fosse um cretino, ter um ato ético era algo extremamente difícil pra ele. Às vezes ele nem sabia a diferença entre ser ético e não ser. Às vezes ele pensava estar agindo eticamente, quando, na verdade, não estava. E quando estava, era preciso um esforço descomunal para fazê-lo.

Através da vida, aprendi alguns truques para atestar a veracidade da ética das pessoas. Por exemplo, quanto aos homens, julgo o tamanho da sua ética segundo o que pensam de meu pai.

Meu ex-marido achava meu pai um homem bom, mas volta e meia ele dizia:

- Tudo bem que a pessoa tem que ser honesta, mas aí já é demais.

Já para mim, meu pai é a pessoa mais ética, honesta e decente que eu já conheci... e sempre vejo isso como uma virtude.

Embora ele (meu pai) sofra muito com isso (a humanidade tende a não respeitar pessoas muito honestas) eu acho isso uma virtude maior do que qualquer uma que eu poderia vir a ter algum dia. Simplesmente pelo fato de que é muito fácil tratar com respeito quem te respeita, difícil é tratar com respeito quem se aproveita de você.

Já eu sou muito sensata. E por ser uma pessoa sensata, não acredito na sensatez alheia. Parto do príncipio de que respeito é algo que se conquista, e não deve ser dado de graça.

Meu pai me ensinou que devemos respeitar todo mundo, a vida me ensinou que devo respeitar quem merece respeito.

Agradeço muito a lição de meu pai, mas o que a vida me ensinou doeu mais, e a gente tende a valorizar mais as lições doloridas. É como quando você diz a uma criança que não enfie a tesoura na tomada. Ela não acredita até enfiar, levar o choque, sentir dor e aí, sim, aprender que aquilo não deve ser feito. E falo isso com conhecimento de caso (das duas experiências, evidentemente).

Respeito também deve ser algo recíproco. E também por ser uma pessoa sensata, dou sempre a desconhecidos o benefício da dúvida. Sempre acho um desconhecido digno de respeito, até que ele me prove o contrário. Ou não.

Aprendi isso da pior forma possível, principalmente por ter o jeitinho da 'Sandy'. Ou da insuportável Grazzi Massafera. As pessoas sempre pensam que podem fazer da gente (as muito 'amáveis', muito 'boazinhas', muito 'meigas' e 'doces') de gato e sapato. Tomem como exemplo uma garota barraqueira, que sempre mexe com a 'quietinha' porque sabe que ela nunca vai fazer barraco.

Também aprendi com a vida que nem sempre você pode ficar no seu nível. Às vezes é preciso descer do salto. E te juro, meu bem, que com esse jeitinho sandy-grazzymassafera, eu desço do salto como ninguém. Sabe aquela história 'o que vem de baixo não me atinge' ou 'Não vou me rebaixar ao seu nível'? Pois é. Aprendi que o que vem de baixo atinge sim. Um exemplo simpes é sentar no formigueiro. E é engraçado como, quando você enfrenta uma pessoa uma vez, ela te deixa em paz. Pra sempre.

Um exemplo claro disso é minha filha...

... Vejam bem, eu não bato na minha filha. Parto do príncipio de que ninguém é saco de pancadas, muito menos as crianças, e muito menos a minha filha. Se um adulto bate nela, eu tomo satisfações, sim. Cabe a mim educá-la, assim como cabe aos pais das outras crianças educá-las. Porém quando uma criança bate nela, eu não bato na criança (claro, não precisa ser um poço de ética para saber disso), mas mando ela se defender.

Ensinei a ela que quando uma criança bate nela a primeira vez, ela deve dizer que isso não se faz. Se a criança insiste, ela deve descer do salto (embora ainda não o use) e revidar. Sim, porque, repetindo, parto do pressuposto de que NINGUÉM é saco de pancadas.

E ela é muito correta. Talvez até demais. Um dia vi pela janela uma colequinha dando um tapa nela. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a Mel deu dois na amiguinha. A criança começou a chorar e eu saí correndo, desesperada, pensando que ela (a Mel) estivesse tendo um ataque de fúria. Quando cheguei e perguntei o que estava acontecendo, a Mel disse:

- Ela me bateu primeiro.

- Sim, mas ao invés de você só revidar, você deu dois tapas nela.

- Mas é que ela já tinha me batido outro dia, então foram dois tapas que ela me deu! (rsrsrsrsrs)

Sinceramente, não soube o que falar. Eu até ia dizer que 'o que passou, passou', mas vi que a menininha olhou pra Mel surpresa e parou de chorar. Vi que a menininha tinha entendido o recado. Elas brincam todos os dias, e a menina nunca mais bateu na Mel. Continua batendo em outras crianças, mas na Mel não.

Voltando ao respeito, meu pai sempre ensinou que os mais velhos devem ser respeitados. Para mim, que vivo em uma era onde a Pedofilia corre solta, penso também os mais velhos devem conquistar respeito. Devem respeitar para serem respeitados.

Bom, mas tudo isso é para expressar mais um dos meus questionamentos existencialistas:

Enfim... se não machucou, não houve falta? A intenção de prejudicar não conta?

Falem aí. (Por favor!)

Beijos, queridos masoquistas leitores!
By Gisa