quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O portugues 'meia boca' do Henry

Ele chega em casa todo feliz, com um ferro nas maos, dizendo em portugues:
- Eu comprei un "contro robo" para o teu pai!
- Cosa?
- Eu-comprei-un-contro-robo-para-u-teu-pai!
Ele me mostrou a coisa pra ver se eu descobria o que era... mas para mim parecia sò um ferro torto...
- O que è isso?
- Eh um "contro robo brasileiro"!
- O que???
- Um "contro robo"!!
Putaqueopareu. Decidi perguntar pra que servia:
- E pra que serve??
- Eh pra ninguem "robà" o carro do teu pai!
hahahahaha

Entendeu? Ele comprou um ANTI-FURTO!!!

Vontade de morder =)

Minha mudança de personalidade e os venezianos loucos

Somente quando vou ao Brasil percebo o quao arrogante e prepotente me tornei. Aqui em Venezia isso passa desapercebido, porque todo mundo è assim. Quando chego no Brasil e me deparo com toda aquela gente simpatica, bem-humorada, humilde e educada vejo que me olham como uma mejera. Mas eu sò me dou conta depois, jà que aqui ser prepotente e mal-educada è normal, aliàs, necessàrio para sua sobrevivencia.

Quem me conheceu no Brasil sabe que eu tinha um insuportàvel jeitinho "Sandy-Grazzi Massafera". Eu sei que tem gente que gosta mas eu acho essas duas insuportàveis e perder esse jeitinho Sandy è uma das coisas que considero boa desses tres anos e meio de Italia.

Percebi que teria que mudar meu jeitinho Sandy quando um velho nojento de 80 anos tentou me beijar. Era um comerciante e enquanto eu explicava para ele o que eu queria (com meu jeitinho doce e meigo) ele se apoximou, me pegou pela cintura e quando eu vi ele jà tava praticamente com a boca quase encostada na minha.

Isso ainda foi na Lombardia e foi ali mesmo que perdi meu jeitinho doce, porque nao aguentava mais ter estranhos colados em mim e me perseguindo o tempo todo.

Depois, quando cheguei em Venezia, eu nao era mais doce mas ainda era muito educada. Porèm com o tempo vi que aqui as pessoas nao te respeitam se voce for educado. Um exemplo? Se alguem entra na sua frente em uma fila (coisa corriqueira aqui na Italia); se fosse no Brasil bastaria sorrir e dizer baixo: "desculpa, mas eu tava aqui primeiro". Jà passei por isso no Brasil e nesses casos a pessoa pede desculpa, explica que estava distraida ou que nao tinha te visto e vai para o fim da fila. Aqui na Italia, se voce diz a mesma coisa  (com um sorriso nos labios) as pessoas te olham e te ignoram. Fazem de conta que voce nao està ali e continuam na sua frente como se nada fosse.

Observando o comportamento dos venezianos, descobri que precisa ser mal-educado com eles, caso contràrio eles nao te respeitam.

Hoje, se alguem entra na minha frente na fila, eu faço um barraco. Grito alto, faço cara feia, xingo, digo palavrao, um barracao mesmo. Fazendo isso eles pedem desculpa "com a mao" (italiano costuma pedir desculpa mexendo a mao, como se estivesse dando tchau) e saem de fininho.

Eu dei o exemplo da fila porque è o que acontece com mais frequencia, mas no transito tambem è assim. E quando voce vai nas lojas, tambem. Tipo, se eu nao sei o nome do que eu quero comprar e tento explicar ao vendedor o que è, ele faz logo cara feia, começa a mexer as maos (italiano gesticula que è uma coisa de louco) levanta a cabeça e grita, todo prepotente:

- Ehhhh*... sem o nome como eu faço? Adivinho?

Antes eu abaixava a cabeça e ia embora. Agora eu levanto a cabeça, começo a mexer freneticamente as maos, alço a voz e faço a mejerona:

- Ehhhh*... mas nao è esse o seu trabalho? Ou pagam seu salàrio pra que? Ehhhh*

O incrivel è que no Brasil, se voce respondesse assim, seria pior. Aqui em
Venezia a pessoa sorri e te dà atençao. Sei là, parece todo mundo louco, masoquista, gente que gosta de ser tratado mal.

De vez em quando, quando trabalho como caixa, è a mesma coisa. Se eu fico quieta, a pessoa continua me ofendendo e sendo prepotente. Se eu alço a voz e mando ela ir tomar naquele lugar, ela fica quieta, e sorri como se nada tivesse acontecido.

O que se passa na cabeça dessa gente?

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(*): O "Ehhhh" nao è uma reticencia, como alguem que diz "hun, vejamos..." O "Ehhh" è um som em um tom desagradavel que os italianos fazem que quer dizer: "Ei, seu ignorante!"

PS: Se voce sai de Venezia, o comportamento das pessoas jà mudam. Se voce vai a um lugar muito luxuoso, tambem. Misteriosamente, quando se trata do meu trabalho nas festas, as pessoas sao estranhamento bem-educadas. Sei là, talvez as festas as relaxam...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Meu amigo mafioso

Voces lembram quando eu falei que eu tinha um amigo mafioso? Voces acharam que eu tava brincando, nè?

Olha ele aqui:

Foi o dia em que fomos ao Restaurante Brasileiro


Todo fim-de-semana tem show!
 O lance de ser mafioso era brincadeira, obviamente. Esse è nosso melhor amigo, Gianni. Voglio bene esses caras, cada um da sua forma, mas voglio bene tutte e due!

 Patrizia, minha linda! Como è bom estar junto com esses dois!

 Esse foi o dia em que fomos a um lugar diferente: Eh uma espècie de Restaurante (Na verdade è um hangar), se chama "Club da Laura". Nao è muito conhecido, fica à beira de um rio. Posso dizer que ali se come peixe fresco, selvagem, sem pagar os absurdos que os restaurantes venezianos cobram. Adorei!

No meio a Dona Laura, cozinheira e proprietaria do Club. (Se chama club porque sò os sòcios podem comer ali). No dia, comemos muito bem: Verdura frita, polenta com sugo de frutos do mar, espaguete com frutos do mar e pra terminar um peixe grelhado. Tudo fresco, pescado pelos pescadores locais. Comemos em quatro e gastamos R$ 200. Parece muito mas pra Veneza è quase nada, visto que sò foi servido peixe fresco.

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Tao curiosos pra saber o que tem na travessa? (prepotente, eu??)
Eh isso aqui, ò:
Deu fome ou deu nojo?
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PS: O post sem sentido aì de baixo foi para mostrar a um cliente os trabalhos que faço.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Tubarao e Barracuda!

Os novos integrantes da familia!

O Henry me deu um aquàrio e dois peixinhos!
Tubarao è o mais gordo e mais comilao, mais esperto, mais ràpido e "furbo" (malandro). Barracuda è mais sossegadao, mais lerdo, mais tranquilao.


 Tubarao jà tà comendo, e Barracuda ainda tà "boiando" perdidao!
PS: Nao sei por que fazer um post sobre isso mas, enfim, jà fiz!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Italianos bizarros

Comprando materiais para usar em minha nova profissao (nao contei pra voces, mas estive em Milao por 4 dias fazendo curso de Balloon Art), me deparei com essa bexiga* aqui:

E o mais incrivel è que tem gente que faz festa , mesmo! Tà. Eu fiquei feliz quando separei do meu ex-marido. Mas dar uma festa è outra història...

(*): Balao, no Paranà, se diz "bexiga".

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Deu Proagro... Ataque de musgos!

Voces lembram da minha planta carnivora? ( http://ronnize.blogspot.com/2011/03/minha-planta-carnivora-e-outras-flores.html  )

Entao... vcs lembram que eu disse que ela precisava de "Sfagno" (uma espècie de musgo)?

Entao... existe uma lei italiana que proibe a retirada do sfagno in natura... mas, fuorilegge como sou, colhi o meu pelos campos e (hoje eu sei) existe um motivo para eles terem criado tal lei!

O sfango que se compra nas lojas è tratado, na verdade è "castrado" (rs) e nao se prolifera. Jà o sfagno colhido in natura nao recebe nenhum tratamento e se prolifera... se prolifera... se prolifera... e entao hoje, saindo no meu jardim, descobri que as sementinhas de sfagno voaram da per tutto, se proliferaram, se proliferaram, se proliferaram... e estao matando toda a minha grama!

E voces com isso, nè? Post estùpido, nè? Mas HOJE è MEU ANIVERSARIO (tanti auguri a me) entao eu posto o que eu quiser HUAHUAHUA

Brincadeira, gente, desculpa o post estupido, mas queria deixar registrado o meu ataque de musgos.

Minha planta carnivora quando tentou comer um caramujo e morreu de indigestao

O sfagno (essas 'florzinhas' verde claro)

Minha grama (verde escuro) e o sfagno (Verde claro).
E como aqui na Italia ninguem "fa i cazzi suoi" (ninguem cuida da sua propria vida), os vizinhos jà vieram reclamar da grama manchada. Eu mereço? Me diz, ser controlada atè minha grama, eu mereço??

Beijos, crianças, boas festas!

Segredo vergonhoso!

Alguem jà roubou milho na estrada?

Entao... no Brasil eu roubava de monte! Nada demais... duas ou tres espigas, pra comer cozidas! Nao digo que està certo, està errado, me envergonho... mas... eu jà fiz!

O engraçado è que roubei milho muitas vezes sem nunca ser pega... e fui pega logo quando nao estava roubando: Uma vez parei com uma amiga fazendeira no meio da estrada pra colher milhos da sua fazenda, passou um carro e, nao sabendo que a fazenda era dela, chamou a policia! Menos mal que os policiais nos conheciam! Isso foi hà uns 10 anos atràs... ultima vez que eu tinha roubado milho.

Mas, nao è que no verao passado o Henry e eu fomos passear à beira de um rio e tinha uma enorme plantaçao de milho? A tentaçao foi muito grande e... eis-me aqui, roubando milho na Italia:


Sabe o que eu gosto de comer com milho? Quiabo! Ahhh... o que eu nao daria por um prato de quiabo agora! Mas sò vou poder comer em Julho do ano que vem: Aqui na Italia existe duas ou tres fazendas de quiabo, mas eles dao sò de Julho a Setembro, mais ou menos. Custa R$ 20 o quilo.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Fèrias no Brasil 2011 - Vila Nova

Um dos objetivos do Henry no Brasil era conhecer uma favela. Ele sò tinha visto por fotos e queria muito visitar uma. Voces podem achar estranho, mas eu achei boa essa sua curiosidade. Grande parte dos italianos querem ir ao Brasil sò pra fazer turismo sexual e outros compram uma casa em uma praia e vao ali uma vez por ano, nao se importam com ninguèm e ignoram completamente a cultura da comunidade local.

Pois bem, è por isso que eu sempre apoiei o Henry na sua vontade de conhecer uma favela. E ele conheceu. Brincou com as crianças, ajudou quem precisava, deu atençao a quem queria conversar.  Voltando à Itàlia, perguntei como ele estava se sentindo. "Impotente" foi a resposta.

Posto algumas fotos das familias onde estivemos e conto algumas històrias. Nao faço isso para aparecer, faço sò pra mostrar que com bem pouco se pode ajudar MUITO quem precisa.

VILA NOVA

Vila Nova è a comunidade carente que existe em minha cidade natal.

Muitas pessoas da minha cidade nao fazem idèia de como è essa comunidade e como vivem essas famìlias. A falta de conhecimento vem ou por desinteresse ou por medo... muitos acham que "favela" quer dizer "morro infestado de bandidos".

Pode parecer prepotente a minha vontade que esse post quebre preconceitos, mas... a idèia è essa. Nao quero me aparecer, nao quero que ninguem me mande dinheiro para ajudar essa comunidade, quero sò que as possoas da minha cidade vejam que ali moram pessoas boas de verdade. Moram crianças que tem fome, que precisam de roupas, calçados, cadernos... e mais que isso... que precisam de atençao, que precisam sentir que alguem se preocupa e se importa com elas.

Voce nao vai na Vila Nova porque tem medo?

E se eu disser que um italiano foi? Ele foi e ninguem o roubou, ninguem o sequestrou, ninguem o torturou... Nao tenha medo de ajudar. Se voce tem medo de ir atè a Vila Nova sozinho, fale com as professoras da escola Vila Nova. Elas podem te levar diretamente às familias que tem mais necessidade.

Eh Natal... por que nao dar uma cesta bàsica a quem precisa? Voce vai gastar em mèdia 35 reais. E aquelas pessoas serao gratas à voce por toda a vida!

Nesta familia tive a sensaçao que o mais importante doi a atençao dada à eles. Ouvir sua història, contar um pouco da nossa... estar meia hora junto com elas... Talvez o importante para elas era saber que em algum lugar do mundo, alguèm se importa. Alguèm ficou sabendo que elas existem, alguèm irà contar a sua història. Ao menos essa foi a minha sensaçao.


R$ 1,99. Foi quanto custou o sorriso desse menino, que segundo a mae ficou a noite em claro esperando a bola que ia chegar no dia seguinte.


10 a 0 para o menino!

Essa foi a realidade mais chocante que encontrei. Essa "casa" è de um senhor que teve a filha morta em um incendio que queimou a sua casa. Desde entao, ele "mora" nessa barraquinha. A barraquinha nao tinha nem o teto, que foi doado por uma das funcionarias da Escola Vila Nova, que se chocou ao pasar ali em um dia de chuva e ver que o senhor "Zè" estava todo molhado e com frio, pois a chuva tinha molhado tudo.

O senhor "Zè" toma banho e cozinha com a àgua de uma represa que existe na cidade. Quando fiz a pergunta nonsense "O senhor nao tem medo de pegar alguma doença tomando àgua da represa?" ele me respondeu: "Quando a gente tem àgua encanada a gente vira bobo, fica achando que se tomar agua de rio fica doente. Nao fica nao..."

 Nao quero discutir essa foto, porque seria muito polemico.
Esse è o "banheiro" dessa familia. Marido, mulher e 6 crianças.

O que me impressionou (alèm do òbvio) foi a maturidade dessa menina que està com a irmazinha no colo.

Eh isso. Quero deixar um agradecimento especial à Professora Tuca, da Escola Vila Nova, que foi quem nos levou atè essas e outras familias. Voce è uma grande mulher!

Acho que vou ser apedrejada. Vao dizer que fiz o post sò para aparecer. Nao tem problema. Eu sò queria mostrar que na Vila Nova tem gente boa e que ninguem vai te matar se voce for là levar um pacote de arroz ou um pirulito à uma criança. Essas pessoas sao boas e precisam de ajuda.

AUTORIDADES VAMOS ACORDAR??

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Adeus

Nao è uma homenagem, porque acho que homenagens devem ser feitas em vida. Eh uma vontade de entender, è um pedido de perdao, è uma forma desesperada de dizer o que estou sentindo, na - talvez inutil - esperança de que voce possa me escutar, onde quer que voce esteja.

Eu me pergunto porque voce nao pediu ajuda... ou se voce pediu e eu nao entendi... Todas aquelas perguntas anos atràs sobre paraiso, inferno, vida apòs a morte, perdao... eu pensava que fosse sò curiosidade mòrbida, mas talvez voce estivesse gritando por ajuda. Perdao, 'Pochacho', perdao minha linda, porque eu nao entendi. Voce era tao cheia de vida, tao linda, tao sorridente, tao extrovertida... eu nao podia imaginar que dentro de voce pudesse ter tanta angustia...

Ou a angustia veio depois? Quando foi que voce deixou de sorrir de verdade? Por que voce voltou à Europa, por que a gente insiste em voltar pra esse lugar que nao pode nos oferecer nada, a nao ser sofrimento? Por que voce nao ouviu seu pai? Por que nao ficou em nossa cidade natal?

Alguèm poderia ter percebido o que estava acontecendo? Por que sua companheira nao pediu ajuda? Por que, por que, por que...

Os "por ques" nao importam mais... nada vai trazer voce de volta. O que fica è um vazio, uma pergunta sem resposta, uma culpa de 'nao sei o que' e uma saudade...

Fica com Deus amiga, fica com Deus. Que voce possa ter encontrado a paz, que acho ser o que voce procurava. E que tenha um "piuito" pra voce, onde quer que voce esteja. E que voce possa recebe-lo com aqueles olhos grandoes e cheios de alegria, como voce fazia hà 24 anos atràs.

Me perdoa por nao estar perto de voce.
By Gisa