terça-feira, 10 de julho de 2012

Vexame

A cena:

Eu pego o telefone e disco um numero, do outro lado da linha alguèm diz bom dia e eu vou logo falando:

- Bom dia, eu gostaria de saber se voces tem cartolina ondulada na cor azul, gramatura 200grs com o verso da mesma cor. O tom de azul que eu estou procurando è o "blu ete", aquele "blu" quase preto nao me serve e tambem tem que ter...

- Um momento minha senhora! A senhora ligou para um Hospital!

- Anh??? Come??


huahuahuahua

Vexame, a gente ve por aqui.

sábado, 7 de julho de 2012

Gente, o Henry tà sem noçao!

- Henry, tà tudo certo pra viagem à Floripa, falta sò vc ver as fotos da pousada pra eu confirmar.
- Afff! A gente tem mesmo que ir pra Floripa?
- Mas foi voce que disse que queria ver a Lagoa da Conceiçao, criatura!
- Ehhh... mas sò porque voce fez muita publicidade! Eu queria mesmo era ir ao Rio!

2 dias depois...

- Henry, vem olhar a foto do Hotel no Rio pra ver se vc gosta...
- Nao quero Hotel, quero pousada.
- Mas no Rio a gente sò vai ficar dois dias!
- Se è pra ficar em Hotel eu nao vou!
- Tà bom, melhor pra mim, assim a gente vai pra Floripa...

1 dia depois...

- Rony, vem ver! Achei a pousada perfeita! Olha que gracinha, chama "Favelinha"!

A criatura fica toda feliz porque achou a pousada bem do jeitinho que queria: no meio de uma favela em um dos morros do Rio de Janeiro! 

Mas voces pensam que ele se acontenta? NAAAAO

Hoje de tarde...

- Olha sò Rony: tem algumas pessoas que te levam pra fazer um Tour dentro da favela todinha!

E assim eu vejo tudo: pousada, favela tour e passagens. Jà tà tudo decidido, sò falta ligar pra reservar. O Henry enfim vai conhecer o Rio e o sonho da sua vida: a favela carioca

Ele podia se conformar mas voces pensam que ele se acontenta? NAAAAO

10 minutos atràs...

- Rony, eu tava pensando...
- O que?
- Essa favela aì onde eles vao levar a gente  è completamente segura porque tà em "paz" nè?
- Sim, ela jà foi "pacificada".
- Hun... 

A criatura poe a mao no queixo, olha pra cima e fica pensando... 
Eu concluo que ele tà tomando juizo, enfim entendendo os riscos que corre... ... E aì a criatura solta a pèrola:

- Mas eu quero ir a uma favela que ainda nao foi "pacificada"!

- Ou seja, tà querendo tomà bala perdida a qualquer custo mesmo, nè nao, abestado?

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Sò porque tenho sobrenome alemao... (Atualizado)

... sou nazista!
Vamos ao causo:

Tem um restaurante brasileiro aqui na Terraferma onde o churrasco era um arraso. Tipo, o churrasqueiro, brasileiro, fazia uma carne que era uma perfeiçao. Semana passada fomos ao restaurante novamente e...

... Quando chegamos no restaurante jà vi que o churrasqueiro era outro: era um garoto indiano.

Abre parentesis:
Vejam bem, mas vejam MUITO bem mesmo, senhoras e senhores: nao uso o termo "indiano" como ofensa. Eh a nacionalidade do cara. Eu poderia ter dito: "era um alemao" ou "era um japones", de acordo com a nacionalidade dele. Aqui na Italia dà pra perceber a nacionalidade de quase todo mundo porque aqui nao teve a miscigenaçao que teve no Brasil, entao quando as pessoas usam a nacionalidade de uma pessoa para falar dela, nao è um ato ofensivo, è... como posso dizer, um referimento. Nao è como no Brasil, que o povo diz: "Eh um argentino" e o povo jà faz aquela careta.
Por exemplo, aqui no prèdio eu sou a "brasileira": "Voce sabe se a brasileira tà em casa?" 
E a senhora que mora na frente de mim è a "russa": "Eu guardei a correspondencia da russa porque tava caindo tudo no chao, quando ela chegar voce avisa que tà comigo?"
 Entenderam?
Aqui eu nao sou a "Rony que trabalha com baloes", eu sou a "brasileira que trabalha com baloes". Eu nao ligo, quando eu reclamo do preconceito das pessoas nao è disso que eu to falando.

Fecha Parentesis

Entao, voltando ao assunto, o novo churrasqueiro è indiano mas sò que ele nao tem a menor ideia de como se faz e serve um churrasco. Entao ele trouxe carne cru - que encheu nossos pratos de sangue-, depois trouxe carne tao passada que a gente nao conseguia morder, depois trouxe o doce no meio do rodizio, e depois voltou com a carne de novo. A impressao que eu tive foi que os donos do restaurante pensaram "ele sabe fazer kebab, churrasco è a mesma coisa" e jogoram o pobre coitado là, sem explicar o que era rodizio, nem como funcionava, nem como servia, nem nada. O rapaz atè tinha boa vontade e era muito simpatico... mas nao sabia nada de churrasco.

A noite foi passando e... voces sabem... eu tenho pobrema, nè gente? 
Eu falo de menos. Sabe aquela gente que fala, fala, fala sem pensar no que tà falando? Entao, eu sou o contrario: eu falo pouco porque falo mais devagar do que penso. E eu  ESCREVO MUITO... mas è porque eu escrevo no PC mais rapido do que falo. Deu pra sacar? Eh assim, ò:

Escrita > fala
Fala < pensamento

Ou seja, eu ESCREVO mais rapido do que FALO. 
Ou seja, se eu tiver que contar uma historia longa, è melhor eu escrever ela, que assim eu termino antes. turum-dum-thisssss (para os mais lerdos desinformados, è o som da bateria no final da piada)

Bom, mas o lance è que eu PENSO, CHEGO A UMA CONCLUSAO na minha cabeça, penso que a pessoa escutou o que eu pensei e aì sò falo a parte final... o que quase sempre dà bosta!

Entao, quando eu tava pagando a conta do restaurante e tinha entendido que o menino indiano tinha sido colocado là sem nenhum treinamento, eu fui pensando: 

"poxa, se eles nao queriam ensinar ao funcionario como fazer churrasco, era sò contratar um brasileiro... todo brasileiro sabe fazer churrasco!... nao, Rony, nao è verdade... sim, nao è verdade, mas todo brasileiro jà comeu churrasco e ao menos sabe como deve ser feito, sabe quando a carne tà crua ou cozida... sabe que o doce sò è servido depois que o rodizio acaba, porque è dificil o brasileiro que nunca foi num rodizio...bla,bla,bla" 

Aì depois que eu pensei tudo isso, eu achei que a dona do restaurante tinha escutado tudo e sò falei o final: "Por que voces nao contratam um brasileiro ao inves de um indiano pra fazer o churrasco?"

Pronto gente. Foi o fim. A dona do restaurante era uma daquelas pessoas beeeeem barraqueiras e o bicho pegou. A mulher fez tanto barraco que eu, que sou polemica e intrigueira mas nao sou barraqueira, nao consegui argumentar.... 

Em minha defesa gostaria de dizer que essas pessoas que fazem barracos, elas sao PROFISSIONAIS: elas gritam, elas arregalam os olhos, elas tremem, elas mexem a mao desesperadamente, elas simulam voar em cima de voce quando voce ameaça abrir a boca... e o pior: elas usam qualquer coisa que voce diga contra voce - porque elas nao tem a menor intençao de entender o que voce tà falando - elas sò querem te matar, e como nao podem, as veias das cabeças delas começam a pular em cima dos olhos e gente... se tem uma coisa que me assuta à morte è  
ver gente com veia pulando!! Me dà um c**asso ENORME, eu nao consigo ver nem escutar nem falar mais nada, fico sò encarando a veia e pensando "vai explodir, vai explodir, vai explodir... vai explodir e espirrar em miiiiimmmmm!!!!!" Eu sei que è uma frescura, mas cara, tenho mò pavor de veia pulando!!

Entao a mulher ficou là gritando um monte de coisa que eu nao escutava - porque eu ficava de olho na veia - e pra terminar a mulher, depois de me chamar de racista e todos outros belos nomes que voces podem imaginar, completou:

"Claro que com um sobrenome desses, sò podia ser racista! Se o garoto fosse branco, voce nunca teria dito nada!"

Poxa...
Essa doeu, hein minha senhora! Mò sacanagem aee.  
O racismo è todo da senhora e da 'senhora sua Veia'! 
Meus avòs podiam ser judeus alemaes que fugiram de Hitler nè nao, abestada?

Eu fico pensando o que acontece com essas pessoas que veem racismo em tudo. Eh verdade que a frase, solta assim, sem explicar toda a minha linha de pensamento anterior, pareceu meio racista, mesmo. Mas a reaçao da mulher foi exagerada! 

Tem um monte de gente que vai em 'restaurante japones' de italiano e reclama que o italiano nao faz bem o sushi. Tem um monte de gente que vai em  'restaurante chines' de italiano e reclama que italiano nao sabe fazer comida chinesa. Tem um monte de gente que vai em padaria de chines e diz que chines nao sabe fazer croissant. Qual o racismo disso? Eh claro que uma pessoa que passou a vida inteira comendo uma certa coisa vai entender melhor como ela deve ser feita! Nao è racismo, è lògica! Manda um alemao que nunca foi ao Brasil fazer feijoada e ve no que que dà! Manda um brasileiro que nunca foi na India fazer um kebab e ve no que que dà! 

Eh pura lògica, minha senhora, nao è racismo nao. O racismo foi todo da senhora, que viu meu sobrenome e pensou que eu fosse filha de nazista.

E a abestada ficou com um òdio tao grande gente, mas um òdio tao grande de mim que continua me perseguindo no facebook. Olha sò o recadinho dengoso que ela deixou no face de uma amiga minha:


Entao, pela resposta da minha amiga imagino que o nome da dona da Veia seja Dalva. Perceberam o òdio mortal?

Mas nao entendi duas coisas:
1. Porque ela me chamou de senhor? Foi sò erro de digitaçao ou ela acha que alèm de nazista sou traveco?

2. "ele è um ser humano, nao um indiano". Uè minha senhora, os indianos sao ETs e a gente nunca descobriu??


Eh isso gente.
Ahhh... è claro que eu ia deixar o nome do restaurante da barraqueira, nè gente? Eu nao sou barraqueira mas sou intrigueira! (turum-dum-tisssss)

ATUALIZAçAO:

A tia nao desiste, gente. Depois de me add como amiga no face e ter um NAO como resposta, ela pediu pra receber as minhas atualizaçoes. Ou seja, a pessoa me odeia, me acha racista, me persegue, me ofende... mas olha que lindo: Ela quer ter noticias minhas! Nao è um amor essa tia, gente??





Serà que eu deixo, hein? hein? hein?


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PS:E para os mais curiosos, meus avòs foram para o Brasil logo apòs a primeira guerra, muito antes que Hitler tomasse o poder, muito antes que o partido nazista fosse criado. Meu avo tinha 17 anos e minha avò 12, ambos eram de familia catolica. Eles se conheceram no navio e se casaram quando chegaram ao Brasil.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Minha casa em Ivaipora

Gente, eu jà passei por CADA coisa. Mas CADA coisa que voces nem imaginam. Essa semana, com a història da compra da casa, lembrei das casas onde jà morei e...

... Senta que là vem a història...

Quando passei no vestibular, em 1997, eu fui morar nessa cidade com uma menina da minha cidade natal que ia estudar na mesma faculdade. Como o desfecho dessa convivencia è meio chato (nao chato de vergonhoso, mas chato de entediante, mesmo), eu coloquei essa parte da historia aqui.

Depois de morar com essa menina e depois de alugar um quarto na casa de uma senhora um tanto bizarra (para os mais curiosos eu conto da senhora no link ali em cima) eu resolvi ir morar sozinha!

Zanzando pela cidade eu encontrei uma "casinha" para alugar por mìseros R$35. Nao sei bem quanto isso valia na època, mas, como eu disse eu ganhava R$180 e lembro que um chocolate prestigio custava R$0,35. Aluguei a casa e me mudei, sò contanto aos meus pais quando jà estava na "casa" nova.

A "casa" ficava no quintal da proprietaria da casa, quase encostada na casa dela. Meu novo teto mostrava os tijolos na parte de fora e tinha 3 comodos: um quartinho minusculo, uma cozinha minuscula e um banheiro sem luz, sem janela e... sem porta!

A casa era um horror, mas era A MINHA casa! Nunca consegui decidir o que me incomodava mais naquela casa: a entrada do banheiro (sem porta!) que dava na cozinha, a falta da fechadura na porta de entrada, o cimento batido nas paredes, ou... o buraco por onde eu tinha que enfiar a mao para ligar a torneira do chuveiro, diretamente ligado no cano do lado de fora!

Pensando bem, acho que o 'mais legal' da casa era mesmo o buraco do banheiro, que eu tampava todos os dias e que, por motivos òbvios, todo dia eu encontrava destampado. Eu ficava pensando se meus vizinhos - uma senhora viuva e seus 5 filhos de 17 a 28 anos - achavam mesmo que um dia eu ia chegar là e tirar a roupa sem antes verificar se o buraco estava tampado!

Eu sei que aquela casinha era um horror mesmo, mas eu nutro uma espècie de "amor" por ela. Ela foi testemunha das coisas mais bizarras que jà aconteceram comigo, como por exemplo o dia em que cheguei em casa e, quando fui pegar uma calcinha pra tomar banho, vi que nao tinha mais nenhuma! Algum maniaco (provavelmente um dos meus novos vizinhos, jà que o portao do quintal ficava sempre fechado com um cadeado) entrou em casa e levou embora TODAS as minhas calcinhas! Cara, que sacanagem! O abestado podia ao menos ter deixado UMA para que eu pudesse usar naquela noite, nè? Mas naaaao. Levaram tudo embora!

E depois teve a madrugada em que eu acordei toda molhada e vi que estava chovendo no quarto todo! Peguei minhas melhores roupas e fiquei a noite inteira em pè, com minhas roupas na mao, no meio da cozinha - o unico lugarzinho da casa em que nao chovia!

E depois tinha o filho mais velho da viuva! Ele era um peao boiadeiro que tinha uma academia improvisada na parte de tràs da casa da viuva, bem em frente à minha porta e ao buraco do banheiro. Eu acho que o cara malhava o dia inteiro, ele era CHEIO de musculos! Ele era muito simpatico e bonitinho, seu unico defeito era me atazanar todo dia para malhar com ele: bastava ele me ver chegando pra correr atràs da casa e me perguntar quando eu passava:

"Hoje voce vem?"
"Nao moço, to cansada demais!"

Nunca cheguei muito perto dele, mas alguns dias conseguimos trocar algumas palavras...  pouca coisa, porque ele sempre ficava malhando sem parar, geralmente sem camisa e, pra falar a verdade, era dificil eu conseguir me concentrar! HUHUAHA 

Aquela casa tambem foi o lugar onde mais passei fome. Eu nunca tive coragem de cozinhar nada ali, entao eu sò almoçava  no Detran. Quando eu tinha dinheiro, comprava um pao com mortadela pra comer na facul. Quando nao tinha, ia dormir com fome. Os piores dias eram os finais de semana nos quais eu nao voltava à casa dos meus pais, porque aì eu nao tinha onde almoçar e - em alguns dias - nem dinheiro. Uma dessas vezes em que nao tinha dinheiro eu estava na casa de uma colega de facul e, de improviso, caì no chao. A mae da menina veio correndo dizendo "MEu Deus, menina, voce tà branca!". Eu acho que ela entendeu que eu tava com fome e me chamou pra tomar cafè da tarde rsrsrsrs. Eu nunca disse aos meus pais que passava fome e nunca pedi comida a ninguem. Nao sei bem por que, nao sei se foi vergonha, orgulho... sei là. 

Fiquei naquela casinha por uns 4 meses, atè que minha mae insistiu em vir me visitar. Aì "minha alegria" de morar sozinha acabou: "Voce vai embora dessa casa e vai jà!!!"

E foi assim que eu fui morar em uma "republica"... mas essa è outra historia...



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Fazendo a mamae surtar

Essa semana eu tava conversando com minha filha e contando como è o bairro daquela que serà sua nova casa, falando do jardim, da vizinhança... enfim, atè que no meio da conversa falei:

- Daqui uns meses a gente vai pintar a casa, filha, entao vai pensando em uma cor para o seu quarto!
- Mas eu jà sei que cor eu quero mae!
- Que cor?
- Lilàs! Eu quero lilàs porque assim quando eu for embora aì pra Italia e levar esse guarda-roupa que a vovò me comprou, vai combinar certinho!

huahuahua: primeiro veio a gargalhada... 

e depois: ------>

------> PAUSA PRA MAMAE SURTAR: Como explicar pra criança - que sabe que vai largar vovò, vovo, tios, priminhos, escola, amiguinhos - que ela vai ter que largar tambem seu guarda-roupa novo?

sábado, 2 de junho de 2012

Meus vizinhos

Morar em condomino em Venezia nao è fàcil. O povo da terraferma, como pude ver, è mais legalzinho, mas os venezianos das ilhas sao super chatos e super mal educados.

Pra quem nao sabe, eu me mudei de Venezia ilha pra terraferma. Me dou bem com todos os meus viznhos mas... tem dois venezianos no apartamento acima do meu...

... e vamos ao causo:

Ontem eu estava conversando com a calabresa (que na verdade è siciliana mas que eu sò lembro que è siciliana depois que chamei de calabresa) no portaozinho do meu jardim quando senti alguma coisa cair na minha cabeça. Olhamos para o alto e vimos milhares de migalhas de pao caindo do cèu e logo mais acima uma mulher loira, na faixa dos 30 anos, na sua sacada, sacudindo sua toalha em cima do meu jardim, ou melhor, bem na minha cabeça.

Muito educadamente, eu falei:
- Minha senhora... se a senhora abanar a toalha em cima do meu jardim depois eu vou ter que limpar! - apontei para aquela porcalhada toda no chao e continuei: 
- Olha que sujeira a senhora fez!
A mulher, ma maior cara de pau, me respondeu:
- Mas nao foi eu!

Eu olhei pra calabresa, que jà tava indignada, e continuei falando para a senhora:
- Mas nòs acabamos de ver a senhora abanar a toalha!!

E entao ela fez o que o veneziano sabe fazer de melhor: deixou a gente falando sozinha e sumiu pra dentro da casa.

Pode, gente? Pode uma coisa dessas? A mulher acha que tem algum poder invisivel ou o que? 

E nao è a primeira vez que ela joga coisas na minha cabeça: outro dia ela jogou uma bituca de cigarro... ACESA. Ela tambem joga guardanapos sujos de meleca e, è claro, cinzas de cigarro, porque aparentemente, na cabeça dela, meu jardim è um cinzeiro.

E os pobrema com esses venezianos (eles sao um casal) nao pàram aì.

Alguns dias atràs o condominio recebeu uma carta ameaçadora do administrador, dizendo que tinham crianças brincando no cortil e que segundo as regras do condominio nao pode brincar ali. A carta ainda enfatizava que a criança em questao andava de bicicleta no cortil e isso era algo inadmissivel. A carta terminava dizendo que se o problema nao fosse resolvido em uma semana, os moradores incomodados tomariam as providencias judiciais cabiveis.

Conversando com os moradores mais antigos do prèdio (todos da terraferma) descobri que essa criança sempre fez isso e nunca foi um problema... atè esses venezianos chegarem.

Eu nao vi, mas uma senhora disse que dias atràs eles colocaram um cartaz no elevador, dizendo que nao conseguiam entender como algumas pessoas tinham coragem de deixar o filho andar de bicicleta no cortil, algo tao "desrespeitoso"!

Viram como sao os venezianos? Jogar bituca acesa na cabeça dos outros... problema nenhum! Andar de bicicleta? INADMISSIVEL!

Eles sao ou nao sao um bando de loucos egocentricos, prepotentes e mal educados? Sò porque eles nunca andaram de bicicleta, acham que na terraferma tambem nao pode! Nao sao eles que tem que se adaptar à terraferma, è a terraferma que tem que se adaptar a eles... 

Digo mais uma vez: ODEIO veneziano... 

... e das duas, uma: ou isso tà virando carma ou os fdps tao me perseguindo!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Henry x Darth

Hoje, pela milèsima vez, o Henry estava  "escolhendo" um nome para o seu futuro cao de caça. O coitadinho ainda nem nasceu, mas jà se chamou "Rolf", Biset, Rocky, Hunter (o mais cogitado atè agora), Atila, Mafalda (como a tirinha) e outros, muitos outros. Mas eis que ontem, eu tive uma "luz":

- Por que voce nao chama ele de Darth?
- Darth? ... (olhar curioso do Henry)
- Darth! (eu - revirando os olhos)
- De onde voce tirou isso?

Suspeitando de que o Henry nao tinha a minima ideia do que eu estava falando, eu completei:
- Darth... de Darth Vader!!!

... e eis que o Henry quase me mata do coraçao:
- E quem foi esse cara?

PARATUDO!!!!! 

- Henry, pelamoooor! Diz que voce sabe quem è Darth Vader... diz que voce tà sò brincando!
- ... (silencio)

Vejam bem, senhoras e senhores. Eu conheço o Henry muito bem. Sei quando ele està mentindo e, acima de tudo, sei quando ele està com vergonha. E a cara que o Henry fez quando eu pedi para ele dizer que era brincadeira foi de VERGONHA. Ele nao fazia a MINIMA ideia de quem era o tal Darth Vader!

- Henry, todo mundo da nossa geraçao sabe quem foi Darth Vader!!!
- (sorrisinho amarelo)
- Cavaleiro Jedi?? "Lado obscuro da força"? Princesa Leia? Luke Skywalker?
- Nunca ouvi falar...
- STAR WARS, Henry! STAR WARS!!!
- Boh...


E fim da conversa. Depois dessa fui atè dormir!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Minha novela mexicana

Hoje descobri que todo o meu stress e todos os meus problemas poderiam ser resolvidos se eu aprendesse a fazer uma coisa: SUPORTAR. 

Nunca tive que suportar ninguem que me chateasse. Desde criança, se alguem me decepcionava, eu simplesmente me afastava da pessoa. Se alguem se intrometia demais em minha vida, eu me afastava tambem. Tive que fazer isso pouquissimas vezes porque sempre tive poquissimos amigos e sempre fui muito seletiva na escolha das pessoas com quem convivi.

 Mas e quando se trata de alguem que voce nao pode escolher? E quando voce tem que conviver com alguem que te poe pra baixo, que te critica o tempo todo, que faz questao de enxergar algo de ruim atè nas coisas mais maravilhosas que acontecem com voce, que faz atè do seu corte de cabelo um drama infinito? 

O que fazer quando voce nao pode simplesmente ignorar essa pessoa? O que fazer quando voce nao tem a possibilidade de falar com ela sobre isso e... quando voce sabe que mesmo falando, ela è cheia de si demaaaaais pra reconhecer que està errada? E o pior: o que fazer quando voce, dado o seu caràter, nao consegue simplesmente suportar e esquecer as coisas que ela diz? 

Entao. Se eu aprendesse a SUPORTAR, o problema seria resolvido. Nao existe outra possibilidade. Conversar nao vai resolver (alèm de nao ser possivel), e a pessoa nao vai mudar. Tambem nao posso ignora-la como sempre fiz com esse tipo de pessoa... sò me resta aprender a suportar. As vezes fico me perguntando se existe alguma terapia que te ensine isso... mas depois paro pra pensar: Eu seria realmente feliz SUPORTANDO?? 

No meu caso suportar significa deixar pra tràs tudo aquilo em que sempre acreditei e desprezar uma das poucas qualidades em mim que me orgulho de ter: a capacidade de me desapegar de quem me faz mal.

Tambem tem um outro problema: eu sei que se eu começasse a suportar e relevar essas pequenas coisas, logo teria que suportar e relevar outras, e depois outras maiores, depois outras e outras e outras... porque tem gente que è espaçosa demais e nao se acontenta com pouco. Voce abre um espacinho da sua vida e ela chega jà tomando conta de tudo. O que fazer? 

Como isso vai terminar? 

Aguardem cenas dos pròximos capitulos.

sábado, 19 de maio de 2012

Como irritar um italiano - Atualizado

ou...
 aproveitando a pausa do stress para postar!

Oi pessoas! Hà sèculos atràs eu vi em um blog uma coisa que achei bem interessante: uma espècie de lista com as 10 coisas a se fazer para irritar um nativo (??).
Primeiro foi um  top ten feito por uma americana que morou no Rio, e se chamava: "Como irritar um Brasileiro" (Nesse blog tem o link para o blog da americana e o top 10;http://greetingsfromholland.blogspot.it/2010/04/how-to-irritate-brazilian.html). Baseado nesse blog, um brasileiro que vive na França fez o "Como irritar um frances" (http://riogringa.typepad.com/my_weblog/top-ten-lists.html). Eu pego carona e faço o...

"TOP 10 de Como Irritar um Italiano!"

1. Pedir ao garçon  ketchup pra comer com a pizza ou o sanduiche

2. Fazer um elogio a um queijo ou vinho franceses

3. Criticar a igreja catolica

4. Falar bem do papa Joao Paulo II (os italianos odeiam o papa Joao Paulo porque dizem que foi ele que "abriu as fronteiras" para os estrangeiros)

4. Defender um romeno /albanes/marroquino/brasileiro... enfim, defender qualquer pessoa que esteja em territorio italiano mas que nao seja italiano ou suiço

5. Dizer que o Brasil fez bem em nao deportar Cesare Batisti

6. Criticar a atuaçao de Baggio no final da copa de 1994

7.Dizer que tambem se come bem em outras partes do mundo, nao sò na Itàlia

8. Xingar o Maradona

9. Falar mal de Mussolini

10. Nao saber em que parte da Italia fica uma cidade - mesmo que "a cidade" da qual ele esteja falando seja um povoado de 50 habitantes-. (Italiano acha que o mundo inteiro tem obrigaçao de saber geografia italiana)

E a melhor de todas:

Se recusar a comer o que ele te oferece, dizendo: "Desculpe, mas eu nao gosto disso". Italianos pensam que QUALQUER coisa feito na Italia è Ma-ra-vi-lho-so... e para eles è uma ofensa voce dizer que nao gosta.

ATUALIZAçAO: a Sheyla, que tambem mora na Itàlia, me lembrou de outra coisa: 

Mandar um italiano respeitar a fila!

Como a Sheyla disse no comentario, eles vao ficar irritados e te perguntar:
- Fila?? Que fila??

Nao entendeu? Assita à animaçao abaixo e veja o que acontece na Italia na hora da fila. (Para ir direto à parte da fila olhe o video no minuto 3:02)




quarta-feira, 16 de maio de 2012

O apoio moral do Henry

Nao sei por que mas aqui em casa o clima tà TENSO. Nao sei se è o stress da compra da casa, o meu desequilibrio hormonal ou o verao que nunca chega, mas estou parecendo uma bomba relògio. O Henry tambem nao ajuda muito minhas crises existenciais, vira e mexe ele sai com umas pèrolas assim:

1. Eu estava extremamente irritada porque estava em uma loja de esportes (odeio lojas de todos os tipos mas se pudesse faria explodir TODAS as lojas de esportes) procurando um moleton e nenhum ficava bom em mim. Todos ficam com a blusa curta e a calça muito comprida, apertada na barriga e larga demais nos peitos. Estava quase mandando a vendedora tomar naquele lugar quando o Henry pede pra ver como tinha ficado o moleton que eu tinha acabado de provar. Quando eu saio do vestiario a criatura me olha e...

- HUAHUAHUAHUA!!! Sembri un PALOMBARO!!!  (voce parece um mergulhador!)

Saì da loja sem o moleton. E sem o Henry.

2. Resolvi mudar o cabelo de novo, mas a calabresa aqui do prèdio (que na verdade è siciliana) errou tudo e me deixou 10 anos mais velha. Fiquei arrasada e quando o Henry chegou em casa eu perguntei:
- Voce gostou?
- HAHAHAHAHA... Mi piace... Sembri un fungo! (Eu gostei... voce tà parecendo um cogumelo!)

E toda vez que ele me ve sem roupa, solta a sua perguntinha clàssica:

- Amore... quando è que voce vai voltar à academia?

Entao, to com vontade de moer a criatura, mesmo. 

Aì eis que ontem a criatura chega em casa e antes mesmo de me dar um abraço, pergunta:

- Amore... voce fez aquele negòcio que eu te pedi?
(O Henry tem mania de passar "tarefas" pra gente fazer. Stressada como estou, nao estou com saco)
 Eu lancei meu olhar desafiador e respondi arrogante: NAO!
O bicho me lança um olhar fulminante, ativa a bomba relogio e eu começo a berrar:
- NON farmi questo sguardo!! (Nao me olhe assim!!) Voce tem que...
- Mas eu nao falei nada!
- Nao falou mas PENSOU!!! Daqui a pouco tà sò faltando voce falar que eu nao te "OBEDEçO"
Eu vi seus olhos se iluminarem e depois de alguns segundos em silencio ele perguntou, curioso:
- Rony... mas por que è que voce nao me obedece??

huahuahua.



By Gisa